Vulnerabilidades mundiais continuam "mascaradas em parte pelos estímulos"
12 de out. de 2021, 15:02
— Lusa/AO Online
"Apesar
de algumas melhorias desde o Relatório de Estabilidade Financeira
Mundial de 2021, as vulnerabilidades financeiras continuam a ser
elevadas em vários setores, mascaradas em parte por estímulos de
política", pode ler-se no REFM divulgado.Concretamente,
a divisão de estabilidade financeira do fundo refere que os decisores
políticos estão atualmente confrontados com um compromisso entre "manter
os apoios de curto-prazo para a economia mundial enquanto evitam
consequências inesperadas e riscos de médio prazo para a estabilidade
financeira mundial"."Um período prolongado
de condições de financiamento extremamente facilitadas, apesar de
necessária para suster a recuperação económica, pode resultar em
avaliações de ativos demasiado elevadas e pode fomentar vulnerabilidades
financeiras", alerta a instituição sediada em Washington.O
fundo dá o exemplo de alguns "sinais de preocupação", como por exemplo o
"aumento de tomada de risco financeira" e o "aumento de fragilidades
nas instituições financeiras não bancárias", que "apontam para uma
deterioração nas fundações estruturais da estabilidade financeira"."Se
continuarem sem ser abordadas, essas vulnerabilidades podem evoluir
para problemas de legado estruturais, colocando o crescimento de
médio-prazo em risco e testando a resiliência do sistema financeiro
mundial", segundo o FMI.Ao longo do texto o
FMI refere vários fatores, como por exemplo a volatilidade das taxas de
juro a médio prazo, a inflação, os preços dos ativos nos mercados
emergentes, a retirada gradual de uma política monetária acomodatícia,
as "elevadas vulnerabilidades" na China ou o aumento do preço das casas."As
condições monetárias ainda são largamente acomodatícias, com taxas
reais profundamente negativas. Mas há um risco de que as taxas reais
possam crescer significativamente nos próximos anos", adverte o FMI.A
instituição liderada por Kristalina Georgieva adverte ainda que "uma
mudança súbita na abordagem de política monetária pode resultar num
apertar agudo das condições financeiras, afetando de forma adversa os
fluxos de capital e exacerbando pressões em países que têm preocupações
com a sustentabilidade da dívida".Nas
empresas, "a recuperação permanece desequilibrada entre setores, países e
tamanhos" das companhias, refere o relatório, com os "riscos de
solvência a continuarem elevados nos setores mais atingidos pela
pandemia", como os transportes e os serviços."As
vulnerabilidades nos fundos de investimento não mascaradas pela
'corrida ao dinheiro' de março de 2020 continuam, e os riscos continuam a
aumentar para outras instituições não financeiras, dado que procuram
taxas [atrativas] para atingir os objetivos de retorno nominal", adverte
o FMI.Assim, as companhias de seguros
"ainda se deparam com elevadas disparidades de duração entre ativos e
passivos em muitas jurisdições", com as empresas americanas e europeias a
"aumentar a sua percentagem de títulos de menor qualidade"."No
ambiente corrente de taxas de juro persistentemente baixas e ampla
liquidez, o maior uso de alavancagem financeira para fomentar
rendimentos pode propiciar volatilidade nos mercados financeiros",
segundo o FMI.Já no setor bancário "os
critérios para a subscrição de créditos permanecem restritivos em muitos
países", uma posição que se deverá manter, e caso haja um "abrandamento
nos empréstimos dos bancos internacionais" isso pode "colocar riscos
adicionais descendentes a muitas economias de mercados emergentes".