Voto de protesto do PAN/A sobre tourada à corda chumbado no parlamento
24 de mar. de 2021, 16:05
— Lusa/AO Online
O
líder e deputado único do PAN/Açores, Pedro Neves, viu a proposta ser votada
favoravelmente apenas pelos dois deputados do BE/Açores, com a abstenção
do deputado único da Iniciativa Liberal.Na
apresentação do voto de protesto, Pedro Neves recordou que a Assembleia
Municipal de Angra do Heroísmo, ao abrigo do Regime Jurídico de
Atividades Sujeitas a Licenciamento das Câmaras Municipais na Região
Autónoma do Açores, e em sessão de 12 de fevereiro de 2021, deliberou
classificar como tradicional a tourada à corda promovida pelas comissões
das festas tradicionais da Fajã do Fisher, na ilha Terceira.Para
o parlamentar, a tourada à corda “é uma prática de cariz restrito a
nível nacional e mesmo regional, pois não é, sequer, praticada em todas
as ilhas”, sendo que esta classificação “nem dignifica a localidade, nem
os Açores ou mesmo os processos de classificação de património tangível
ou intangível no contexto de abrangência cultural”.Recordando
que a tauromaquia, da qual “não se pode desmaterializar a tourada à
corda, foi vedada pela própria UNESCO quando, há menos de um ano, a
candidatura espanhola foi apresentada”, Pedro Neves afirmou que a
tourada à corda “não está mais do que para a engorda de um ‘lobby’
restrito com meros interesses económicos”.“No
vasto e rico leque cultural que os Açores possuem, esta prática
envergonha tantos grupos culturais que se dedicam a setores tão elevados
e variados para os quais não existe o mesmo interesse em preservar e
impulsionar”, considerou o deputado do PAN/Açores.O
deputado centrista Pedro Pinto referiu que o voto apresentado revela
uma “profunda repulsa pelas tradições culturais açorianas”, destacando o
“profundo impacto na economia da ilha Terceira, de 11%, e de 3,5% no
PIB dos Açores”, no âmbito de uma atividade “do povo, feita pelo povo e
sustentada pelo povo”.O socialista Berto
Messias considerou que a proposta apresentada pelo PAN/Açores “demonstra
grande ignorância e desconhecimento” sobre o enquadramento legal da
atividade, uma vez que as touradas podem ser classificadas, tendo
salvaguardado que os agentes do sector têm apostado na preservação do
touro bravo “com grande esforço financeiro”.O
social-democrata Luís Soares disse que a tourada à corda é a
“manifestação cultural que mais serve a economia local da ilha
Terceira”, havendo “muitos setores que dependem desta atividade”, em que
considerou que os animais são bem tratados.