Voto de pesar pela morte do fotógrafo Jorge Barros aprovado no parlamento açoriano

Hoje 11:55 — LUSA/AO Online

O fotógrafo Jorge Barros, nascido em Alcobaça, no distrito de Leiria, em outubro de 1944, morreu no dia 26 de maio, em Lisboa, aos 81 anos.Na apresentação do voto de pesar, o deputado do PPM, João Mendonça, lembrou que a vida e obra de Jorge Barros “constituem um legado de inestimável valor para a cultura portuguesa e para a preservação da memória coletiva” do país. “Ao longo de mais de quatro décadas de atividade, percorreu incansavelmente Portugal continental e insular, registando pessoas, paisagens, tradições, crenças e modos de vida que ajudam a compreender a identidade profunda do povo português”, disse.Segundo o parlamentar, a sua obra “distinguiu-se por um olhar simultaneamente documental e poético” e “mais do que fotografar lugares ou acontecimentos, Jorge Barros procurou captar a alma das comunidades, a dignidade das pessoas comuns e a beleza dos gestos quotidianos”.“Foi um fotógrafo humanista, atento aos rostos, aos olhares e às histórias daqueles que tantas vezes permanecem ausentes dos grandes relatos históricos, mas que constituem a verdadeira essência de uma nação”, acrescentou.A sua fotografia, assinalou, constituiu, simultaneamente, “uma criação artística de elevado valor estético e um testemunho histórico e antropológico de extraordinária relevância”.“As suas imagens documentam transformações sociais, modos de vida em desaparecimento e práticas culturais que fazem parte do património material e imaterial de Portugal”, afirmou.Nos muitos territórios que fotografou, os Açores ocuparam um lugar “muito especial” na sua vida e no seu percurso artístico.“Fascinado pela singularidade da cultura açoriana, pela força das comunidades insulares, pela relação com o oceano e pela riqueza das manifestações religiosas e populares, Jorge Barros produziu algumas das mais significativas representações visuais dos Açores dos séculos XX e XXI”, disse João Mendonça.Com o desaparecimento de Jorge Barros, Portugal “perde um dos seus mais relevantes fotógrafos e um dos maiores intérpretes da sua identidade cultural”, vincou.Jorge Barros trabalhou com companhias de teatro como a Comuna, A Barraca e O Bando, foi assessor técnico da XVII Exposição de Arte, Ciência e Cultura, trabalhou em cinema e televisão, com realizadores como Rui Simões, Luís Galvão Teles e Fernando Lopes, e na imprensa para publicações como Atlantis, Egoísta e Jornal de Letras, Artes e Ideias.Foi formador em fotojornalismo no Cenjor e pertenceu à direção da Sociedade Portuguesa de Autores, entre 2003 e 2006.Entre os seus livros constam "Um Olhar Português", "Mineiros", "Festas e Tradições" e "Sob a Terra", aguardando-se a publicação da sua derradeira obra, "Espantalhos e Campos".Em entrevista ao JL, em 2024, disse que, na fotografia, procurou sempre “o encanto que é o milagre da vida, nos gestos, rostos e olhares das pessoas". Na introdução ao livro "Ilhas Desconhecidas", escreveu: "O amor para com os outros é o melhor de nós”.