Voto a favor da moção de censura na Madeira é "inegociável" para maiores partidos
20 de nov. de 2024, 10:56
— Lusa/AO Online
“Não há
qualquer possibilidade de voltarmos atrás na decisão de votar a favor da
moção de censura. É inegociável e irreversível, porque foi uma decisão
tomada por unanimidade na comissão política regional do PS/Madeira”,
disse o líder dos socialistas madeirenses, Paulo Cafôfo, à agência Lusa.Questionado
sobre se o principal partido da oposição – ocupa 11 dos 47 lugares no
hemiciclo madeirense – equacionaria rever a sua posição para viabilizar
alguma proposta que considerasse importante na negociação do Orçamento
Regional para 2025, Cafôfo garantiu: “O PS não entra no mercado de se
vender por medidas. O nosso compromisso é com a mudança.”O
também líder parlamentar socialista argumentou que “ninguém pode
responsabilizar o PS pela aprovação do Orçamento Regional deste ano e
não será pelo PS que o Orçamento Regional para 2025 não será discutido
ou votado”.No seu entendimento, devem ser
responsabilizados os partidos que “negociaram o acordo com o PSD para o
Programa do Governo Regional – CDS, Chega, PAN e IL”.“Foram
eles que acordaram medidas e propostas no Orçamento Regional 2024, não
foi o PS”, sublinhou, reiterando que o partido “não dará qualquer
confiança ao Governo Regional liderado por Miguel Albuquerque”.Também
o secretário-geral e líder parlamentar do Juntos Pelo Povo (JPP) - com
11 deputados - assegurou que “não está em cima da mesa qualquer
possibilidade de o partido mudar de posição em relação a votar a favor
da moção de censura”.“Não poderíamos mesmo
negociar qualquer medida, até porque os intervenientes são os mesmos e
não são pessoas de confiança”, declarou Élvio Sousa.Quanto
ao Chega, partido que apresentou a moção de censura, também rejeita
qualquer tipo de negociação sobre o Orçamento Regional que inviabilize a
iniciativa legislativa.“Para já, e no
cenário que temos hoje, é irreversível a moção de censura nesse
contexto”, atestou o líder regional, Miguel Castro, também em
declarações à agência Lusa.O partido (com
quatro deputados) exige “o afastamento dos secretários regionais que são
arguidos e do presidente do Governo da Madeira, Miguel Albuquerque, e,
não havendo qualquer sinal de ser acatada a reivindicação, a decisão
mantém-se, mesmo com a negociação do Orçamento Regional 2025”.Miguel
Castro recordou que, conforme anunciado pela estrutura, a única
possibilidade de o partido retirar a moção de censura seria num cenário
de remodelação do executivo e afastamento do seu líder.Em
06 de novembro, o Chega apresentou uma moção de censura ao executivo
minoritário do PSD, justificando-a com os processos judiciais em curso
que envolvem Albuquerque e quatro secretários regionais, todos
constituídos arguidos.A confirmarem-se as
intenções de voto divulgadas, a moção terá aprovação garantida com os
votos de PS, JPP, Chega e IL, que juntos têm maioria absoluta. O
parlamento conta ainda, além do PSD, com o CDS-PP (com um acordo com os
sociais-democratas) e o PAN.De acordo com o
regimento do Assembleia regional, a moção de censura deveria ter sido
discutida até 18 de novembro, mas o parlamento aprovou em plenário, por
maioria, o seu adiamento para 17 de dezembro – já depois do debate sobre
o Orçamento -, o que levou o Chega a recorrer aos tribunais para tentar
reverter a decisão.O adiamento para o
próximo mês teve como base um parecer da Assessoria Jurídica do Gabinete
do Presidente da Assembleia Legislativa que refere que a determinação
constante do regimento não coloca em causa a competência da conferência
dos representantes dos partidos para deliberar na matéria, bem como a
Assembleia Legislativa em plenário. Albuquerque,
que lidera o PSD/Madeira desde 2014 e o executivo regional desde 2015,
foi constituído arguido no final de janeiro por suspeitas de corrupção,
abuso de poder e prevaricação.O
social-democrata demitiu-se na altura, mas venceu as eleições
antecipadas de maio. O PSD não conseguiu, porém, alcançar a maioria
absoluta e, mesmo tendo firmado um acordo parlamentar com o CDS-PP, os
dois partidos têm um total de 21 deputados, sendo que a maioria absoluta
requer 24.A aprovação da moção de censura
implica a demissão do Governo Regional e a permanência em funções até à
posse de uma nova equipa.