Voos provenientes de Itália terão maior rastreabilidade de passageiros
2 de mar. de 2020, 12:03
— Lusa/AO online
“Neste
momento, foi já tomada a decisão de aplicar [o rastreamento] aos voos
que são provenientes de áreas afetadas, já o tínhamos feito
relativamente aos voos provenientes da China. Vamos alargar essa medida
aos voos provenientes da Itália", disse Marta Temido, explicando que se
trata da "aplicação de uma rastreabilidade de contactos e também um
reforço da informação dos provenientes dessa região”.Relativamente
ao caso da passageira que seguia no domingo, no comboio internacional
Sud Express, as autoridades de saúde adiantaram que está internada no
Hospital Curry Cabral, em Lisboa, a aguardar os resultados das análises.A
ministra da Saúde adiantou, em conferência de imprensa para atualização
de informação relativa à infeção pelo novo coronavírus (Covid-19), que
há um caso confirmado e outro caso que aguarda uma contraprova através
de análise do Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge (INSA).
O caso confirmado é o de um homem de 60 anos, que está internado no
Centro Hospitalar Universitário do Porto e que reportou os primeiros
sintomas no dia 29 de fevereiro, depois de ter estado no norte da
Itália. O outro homem, 33 anos, que
aguarda a contra-análise reportou os primeiros sintomas no dia 26 de
fevereiro, disse a ministra, adiantando que os dois homens estão em boa
condição de saúde.Este homem, Centro Hospitalar de São João, no Porto, tem ligação epidemiológica a Valência, em Espanha. Segundo a ministra, estes dois casos foram identificados no domingo.
Sobre as medidas que irão ser tomadas, a diretora-geral da Saúde,
Graça Freitas, afirmou que serão proporcionais ao grau de risco e
adequadas às situações, ao dinamismo, flexibilidade e proporcionalidade.
Tanto Marta Temido como Graça Freitas insistiram na necessidade do
primeiro crivo ser sempre feito pela linha SNS 24 para as pessoas
obterem informação e orientação sobre o que devem fazer.
Relativamente sobre quando será o pico da doença, Graça Freitas disse
que ninguém pode saber quando irá acontecer. “Quem avança com alguma
previsão está a especular”, vincou.
Graça Freitas salientou que os mais recentes coronavírus (SARS-CoV,
MERS-CoV e Covid-19) tiveram todos comportamentos diferentes, o que faz
com que as autoridades não tenham base de comparação.
Explicou ainda que a seguir à fase de contenção, seguir-se-á a fase
de mitigar as consequências da epidemia, sublinhando que esta é a
“primeira epidemia online”, referindo-se à imprevisibilidade da atuação
do vírus. Segundo a responsável, as
medidas a aplicar serão diferentes sejam casos sintomáticos ou
assintomáticos, realçando a importância de as pessoas aderirem às
orientações das autoridades de saúde.
Questionados sobre se há material e equipamento necessários para
responder à epidemia, a resposta veio pelo secretário de Estado da
Saúde, António Sales, que disse que em Portugal há cerca de 2.000
quartos preparados, 300 quartos com pressão negativa e 300 lugares de
cuidados intensivos. Interrogados ainda
sobre o facto de o despacho hoje publicado para os serviços públicos
elaborarem planos de contingência para o surto apenas se aplicar à
Função Pública, a ministra explicou que o setor privado tem regras
próprias. Contudo, admitiu a possibilidade de poderem ser criadas orientação para outras entidades.