Voos na Europa 50% mais caros com obrigação de deixar lugares livres
Covid-19
5 de mai. de 2020, 18:08
— Lusa/AO Online
“A
IATA não apoia a imposição de medidas de distanciamento social que
deixariam os assentos do meio vazios”, defende em comunicado a
associação internacional, que representa cerca de 290 companhias aéreas
de 120 países e 82% do tráfego aéreo mundial.Alertando
para o impacto deste tipo de medidas na viabilidade económica das
operações, aquando da sua retoma após o levantamento das medidas
restritivas relacionadas com a pandemia de covid-19, a IATA argumenta
que, “com menos lugares para vender, os custos unitários [cobrados a
cada passageiro] aumentariam drasticamente”.E,
segundo as contas da associação internacional, para poder cobrir os
custos das operações e torná-las viáveis, as tarifas cobradas por lugar
na Europa poderiam mesmo subir 49%, passando de um valor médio de 135
dólares (124 euros) para 201 dólares (184 euros).De
acordo com a IATA, para estas contas foi considerado um fator de
ponderação de 79%, que contrabalança com taxas de ocupação mais baixas
do que o habitual, dadas as grandes dificuldades financeiras das
companhias aéreas resultantes da crise gerada pela covid-19.Numa
altura em que a Comissão Europeia se prepara para divulgar
recomendações sobre a retoma das ligações aéreas, a IATA manifesta a sua
oposição a estas medidas de distanciamento social a bordo, frisando
desde logo que “as evidências sugerem que o risco de transmissão a bordo
das aeronaves é baixo”.Para esta
entidade, é necessário antes assegurar que, temporariamente, tanto os
passageiros como a tripulação das companhias aéreas utilizam
equipamentos de proteção como máscaras faciais.“O
uso de máscaras por parte passageiros e tripulação reduzirá o já baixo
risco, ao mesmo tempo em que evitará o aumento dramático dos custos das
viagens aéreas que as medidas de distanciamento social a bordo trariam”,
argumenta a IATA.De acordo com a
associação internacional, mesmo que os países instituíssem
temporariamente a medida de deixar o lugar do meio livre, “não era
possível assegurar a separação recomendada para que o distanciamento
social seja eficaz”, uma vez que “a maioria das autoridades recomenda um
a dois metros e a largura média dos assentos é inferior a 50
centímetros”.Além das máscaras, a IATA
recomenda que as transportadores meçam a temperatura de passageiros e
trabalhadores, adotem processos de embarque e desembarque com menos
contacto, limitem os movimentos dentro das aeronaves durante os voos,
façam limpezas mais frequentes e profundas dos aviões e ainda
simplifiquem os serviços de alimentação.Esta posição do setor é semelhante à já manifestada pela Comissão Europeia.Numa
entrevista à agência Lusa publicada no passado domingo, a comissária
europeia dos Transportes, Adina Vălean, recomendou que, quando os voos
forem retomados, os passageiros utilizem equipamentos de proteção como
máscaras, considerando esta medida “o mínimo que se pode fazer”.Já
questionada pela Lusa sobre a eventual colocação de assentos vazios
entre passageiros para garantir o distanciamento social, Adina Vălean
afastou esta medida como regra.“Não recomendo, como norma, manter espaços livres [entre passageiros]”, disse.Posição
diferente manifestou o Governo português que, numa portaria publicada
em Diário da República no passado fim de semana, determinou que o
transporte aéreo de passageiros deve ser limitado a dois terços da
lotação normalmente prevista para cada aeronave.Entretanto,
o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, já veio assegurar que
Portugal vai adaptar-se às regras europeias no restabelecimento das
ligações aéreas entre os países.