Von der Leyen quer Europa independente de terceiros na energia, defesa e abastecimento
Hoje 12:13
— Lusa/AO Online
“Vamos
discutir principalmente o tema de uma Europa independente. Temos de
reduzir as nossas dependências excessivas em três áreas específicas”,
sendo a primeira das quais a energia já que “dependemos demasiado de
combustíveis fósseis importados e, por isso, estamos sempre dependentes
dos mercados globais”, disse Ursula von der Leyen.Falando
à chegada da oitava cimeira da Comunidade Política Europeia, que
decorre hoje na capital arménia, Erevan, a líder do executivo
comunitário apelou a mais “recursos dentro da Europa”.“Esses
são as energias renováveis e a energia nuclear porque são produzidas
localmente, são mais baratas e são fiáveis”, elencou, numa altura de
elevados preços energéticos devido ao conflito no Médio Oriente, causado
pelos ataques norte-americanos e israelitas ao Irão.Para Ursula von der Leyen, urge também “mais independência na defesa e na segurança.“Temos de reforçar as nossas capacidades militares para sermos capazes de nos defender e proteger”, afirmou.Ursula
von der Leyen defendeu ainda “cadeias de abastecimento fiáveis”,
nomeadamente após a aplicação provisória do acordo comercial UE-Mercosul
e numa altura de novas ameaças tarifárias dos Estados Unidos.A
presidente da Comissão Europeia adiantou que, “com amigos que partilham
os mesmos valores temos cadeias de abastecimento estáveis e fiáveis, e a
Europa tem a maior rede de acordos de comércio livre”.A
capital da Arménia recebe hoje uma cimeira da Comunidade Política
Europeia (CPE) para debater a estabilidade do continente face às tensões
geopolíticas mundiais sob o lema “Construir o futuro: unidade e
estabilidade na Europa”.O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, não participará por motivos de agenda, ao contrário do anteriormente previsto.Da
lista oficial de participantes, que são mais de 40, constam 14 dos 27
chefes de Estado e de Governo europeus, incluindo o Presidente francês,
Emmanuel Macron, que impulsionou a criação da CPE.Presente
está também o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o
Vice-Presidente da Turquia, Cevdet Yılmaz, para quem foi feita uma
exceção embora não sejam permitidas substituições de líderes.O
Canadá, representado pelo primeiro-ministro, Mark Carney, participa
como convidado, sendo a primeira vez que um país não europeu integra uma
cimeira da CPE.Outra novidade é o facto
de o encontro se realizar pela primeira na região do Cáucaso do Sul,
marcada por tensões históricas e conflitos territoriais, visando
reconhecer o percurso geopolítico da Arménia, apesar da sua dependência
da Rússia, e também assinalar os esforços de paz com o Azerbaijão
relativamente ao território de Nagorno-Karabakh, que tornaram possível a
reunião neste local, segundo fontes comunitárias.O
Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, participa nesta cimeira por
videoconferência, o que ,de acordo com fontes europeias, é significativo
dada a assinatura dos acordos de paz entre os dois países no verão
passado.A cimeira será, ainda assim,
dominada pelo contexto internacional, dado que a UE quer manifestar o
seu apoio contínuo à Ucrânia face à invasão russa e que o conflito no
Médio Oriente continua a ter implicações, sobretudo ao nível energético.Quanto
ao Cáucaso do Sul, a estratégia da UE passa por reforçar a sua
influência através de apoio político, económico e institucional,
tentando ao mesmo tempo reduzir a dependência destes países em relação à
Rússia.A Comunidade Política Europeia é
uma plataforma de diálogo e cooperação que junta países da UE e vários
Estados vizinhos do continente, criada em 2022, em contexto de invasão
russa da Ucrânia.