Von der Leyen propõe nova estratégia para UE lidar com “dura competição geoestratégica”
22 de jan. de 2025, 13:00
— Lusa/AO Online
“Temos
trabalho a fazer aqui em casa e, se queremos proteger os nossos
interesses e defender os nossos valores, temos também de ser
economicamente fortes. A Europa dispõe de todos os instrumentos para
desempenhar com êxito o seu papel no equilíbrio de poderes”, disse
Ursula von der Leyen, intervindo na sessão plenária do Parlamento
Europeu, na cidade francesa de Estrasburgo.Dois
dias após a tomada de posse do novo Presidente norte-americano, Donald
Trump, e quando a UE teme impactos económicos e comerciais desta nova
administração, a líder do executivo comunitário apontou as primeiras
três semanas de 2025 como "um vislumbre da mudança que está a chegar à
política mundial”.“Entrámos numa nova era
de dura competição geoestratégica, estamos a lidar com potências de
dimensão continental e estas envolvem-se umas com as outras com base
sobretudo em interesses. Esta nova dinâmica vai dominar cada vez mais as
relações entre os atores mundiais e as regras do jogo estão a mudar.
Nós, na Europa, podemos não gostar desta nova realidade, mas temos de
lidar com ela”, elencou Ursula von der Leyen.Para
defender os valores europeus, a responsável anunciou que irá
apresentar, na próxima semana e após um ligeiro atraso, a “nova Bússola
da Competitividade”, estratégia para tornar economia comunitária mais
competitiva face a concorrentes como os Estados Unidos e China e que
será “a estrela norte da nova Comissão e orientará o nosso trabalho nos
próximos cinco anos”.“Estabelecemos três
objetivos: em primeiro lugar, reduzir o défice de inovação em relação
aos nossos concorrentes; em segundo lugar, um roteiro comum para a
descarbonização e a competitividade; e, em terceiro lugar, reforçar a
nossa resiliência e segurança económicas”, adiantou Ursula von der
Leyen.A estratégia que será apresentada na
próxima quarta-feira, visa, de acordo com a responsável, combater o
ciclo de falta de investimento e de falta de inovação na UE,
diversificar o fornecimento energético com vista a obter preços mais
baixos e reforçar a resiliência e segurança económicas.Esta
intervenção foi feita naquele que foi o primeiro debate em plenário do
Parlamento Europeu do novo presidente do Conselho Europeu, António
Costa, a quem a presidente da Comissão Europeia agradeceu “a excelente
colaboração nas primeiras semanas do mandato”, já que ambos iniciaram
funções em dezembro passado.Num contexto
de tensões geopolíticas (devido à guerra da Ucrânia causa pela invasão
russa e de conflitos no Médio Oriente), de concorrência face aos Estados
Unidos e China e de transição política norte-americana, a UE quer
apostar, neste novo ciclo institucional, na competitividade económica
comunitária.Estima-se que a UE tenha de
investir 800 mil milhões de euros por ano, o equivalente a 4% do PIB,
para colmatar falhas no investimento e atrasos em termos industriais,
tecnológicos e de defesa em comparação a Washington e Pequim.