Von der Leyen garante que UE “respeitará sempre” princípios do direito internacional
Hoje 12:27
— Lusa/AO Online
“A União Europeia foi
fundada como um projeto de paz. O nosso compromisso inabalável com a
paz, com os compromissos da Carta das Nações Unidas e com o direito
internacional é tão central hoje como era no momento da nossa criação. E
nós respeitaremos sempre esses princípios”, afirmou Ursula von der
Leyen num discurso numa sessão plenária do Parlamento Europeu, em
Estrasburgo.A presidente da Comissão
Europeia fez esta afirmação dois dias depois de, numa intervenção na
conferência anual dos embaixadores da UE, em Bruxelas, ter dito que a
Europa “já não pode continuar a ser a guardiã da velha ordem mundial”.Esta
declaração suscitou críticas em vários quadrantes europeus, incluindo
entre eurodeputados de grupos políticos que apoiam a sua Comissão, como
os Socialistas e Democratas (S&D) ou os liberais do Renew Europe.No
discurso, Von der Leyen deixou duras críticas ao regime do Irão,
considerando que “não há motivos para derramar lágrimas por um regime
assim”, sem nunca mencionar os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao
país.A presidente da Comissão Europeia
salientou que, durante décadas, o anterior líder supremo do Irão Ali
Khamenei, morto num dos ataques de Israel e dos Estados Unidos,
“governou através da repressão, da violência e do medo”.“Sob
o seu regime, os iranianos viveram sob um sistema que silenciava a
dissidência e esmagava as liberdades fundamentais”, afirmou, recordando
que, em janeiro, “centenas de milhares de jovens iranianos saíram à rua
para exigir um futuro melhor”.“Foram
recebidos com uma repressão brutal. Mais de 17 mil jovens, homens e
mulheres, foram mortos enquanto o regime se agarrava ao poder”, frisou.Von
der Leyen salientou que os crimes do regime iraniano “têm décadas”,
afirmando que “prendeu e torturou os seus próprios cidadãos, patrocinou
terrorismo em toda a região [do Médio Oriente] e até em solo europeu e
forneceu apoio crucial à guerra brutal da Rússia contra a Ucrânia”.“Não
se deve derramar lágrimas por um regime destes”, enfatizou, antes de
lembrar que “muitos iranianos celebraram a caída de Khamenei” e esperam
que o momento atual “possa abrir caminho para um Irão livre”.“Isto é o que o povo do Irão merece: liberdade, dignidade e o direito a decidir o seu próprio futuro”, defendeu.No
entanto, logo a seguir a fazer estas críticas, Von der Leyen afirmou
que “ver o mundo tal como ele é não diminui, de forma alguma”, a
determinação da UE de “lutar pelo mundo que ambiciona”, assegurando que
o bloco se mantém comprometido com o direito internacional.Neste
debate, a eurodeputada do PS Marta Temido disse condenar “a lei da
força”, seja nos ataques dos Estados Unidos e de Israel ou nas
retaliações do Irão, e afirmou que o povo iraniano precisa de saber que a
UE está ao seu lado “na defesa intransigente de uma transição
democrática, que só a si pertence, e de uma ordem internacional baseada
em regras”.O eurodeputado do PSD Paulo
Cunha defendeu que o atual conflito no Médio Oriente “representa um
momento particularmente perigoso para a estabilidade internacional” e
defendeu que, neste contexto, “a Europa deve afirmar o que a distingue: a
defesa da paz, do humanismo, da estabilidade internacional”.Pelo
Chega, o eurodeputado António Tânger Corrêa afirmou que o mundo está a
mudar, mas a Europa não, alegando que há fábricas da Volkswagen a fechar
devido a regulações europeias, e pedindo que a UE adeque as posições às
mudanças internacionais.O eurodeputado do
PCP João Oliveira lembrou que houve várias guerras no Médio Oriente
“com intervenção direita dos Estados Unidos”, como no Iraque, no
Afeganistão ou na Síria, perguntando se não era hora de Von der Leyen
condenar a atitude de Washington em vez de “alinhar a UE de forma
submissa”.Os Estados Unidos e Israel
lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, para
"eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano".Em
resposta, o Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel,
bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como
Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano,
Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também
atingiram Chipre, Azerbaijão e Turquia.