Von der Leyen destaca Corredor do Lobito e cooperação com Angola em cimeira em Roma
20 de jun. de 2025, 17:14
— Lusa/AO Online
Ursula
Von der Leyen juntamente com a primeira-ministra
italiana, Giorgia Meloni, a uma cimeira sobre a cooperação com África,
intitulada "O Plano Mattei para África e o Portal de Entrada Global: Um
esforço comum com o continente africano", na qual o continente africano é
representado pelo Presidente de Angola, João Lourenço, atualmente
presidente em exercício da União Africana, estando também presentes
líderes da Zâmbia, República Democrática do Congo e Tanzânia, e ainda
instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial e
Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).Na
intervenção de abertura dos trabalhos, a presidente do executivo
comunitário defendeu o alinhamento das duas estratégias de investimento
em África - o chamado Plano Mattei, proposto por Itália no ano passado, e
a iniciativa «Global Gateway» (Portal de Entrada Global), um pacote de
investimento de 150 mil milhões de euros lançado em 2022 pela União
Europeia, considerando que ambos “nasceram para serem empreendimentos
coletivos” e “para fazer face a desafios comuns”, tendo como objetivo
“aproveitar as oportunidades que servem todos os envolvidos”.Considerando
que “há um novo dinamismo na forma como a África e a Europa trabalham
em conjunto”, até porque os seus interesses “estão mais alinhados do que
nunca”, Von der Leyen destacou, entre os objetivos da cooperação
reforçada, “impulsionar a produção de energia limpa em ambos os
continentes”, “ligar os mercados digitais” e “construir corredores
económicos modernos”.“Para tudo isto,
precisamos de investimento […] Vemos que outros países em todo o mundo
estão a reduzir o seu financiamento. Pensamos que isso é errado. Atrair
novos investimentos para África é do interesse de ambos. E o evento de
hoje mostra que a nossa abordagem está a dar resultados”, disse.Focando-se
nos investimentos em “infraestruturas de grande escala”, que,
sublinhou, “não se resume a construir caminhos-de-ferro, pontes e
barragens”, mas significa também “investir na formação dos trabalhadores
locais, porque isso cria capacidades e é assim que se dá a
transferência de conhecimentos”, resultando “em repercussões positivas
em todas as economias locais de África”, Von der Leyen declarou então
que “não há melhor exemplo do que o trabalho feito no Corredor do
Lobito”.Esta estrutura ferroviária de 830
quilómetros ligará Angola e a Zâmbia através da República Democrática do
Congo (RDCongo), criando um centro logístico regional para o transporte
de minerais e produtos agrícolas.“Lançámo-lo
em conjunto na Cimeira do G20 em 2023. Mobilizámos investimentos em
caminhos-de-ferro e outros modos de transporte para ligar as regiões
mineiras sem litoral da RDCongo e da Zâmbia à costa atlântica de Angola.
Mas o corredor é muito mais do que um caminho de ferro para as regiões
mineiras. Hoje, estamos a assinar três acordos de financiamento com
Angola, para que toda a economia do país possa beneficiar do corredor”,
disse. “Financiaremos a formação
profissional, para que a população angolana disponha das competências
adequadas para os empregos criados pelos nossos investimentos. Levaremos
os produtos alimentares locais aos mercados nacionais e internacionais.
E promoveremos o turismo ao longo do corredor. Isto gera crescimento
local e emprego - ao longo de todas as cadeias de valor e em toda a
economia”, especificou.