Von der Leyen critica moção de censura oriunda de "mundo de conspirações"
7 de jul. de 2025, 17:57
— Lusa/AO Online
“Hoje podemos todos fazer a nossa
própria avaliação sobre os méritos [da Comissão Europeia] […] e cada um
chegará à sua conclusão. O que acabámos de ouvir é claro: é uma
tentativa fraca dos extremistas de polarização, de erodir a confiança na
democracia, uma tentativa de reescrever a história”, disse Ursula von
der Leyen.No arranque de um debate sobre
uma moção de censura à Comissão Europeia, a presidente considerou que a
UE “venceu a pandemia em conjunto”. A
moção de censura foi desencadeada, de acordo com o promotor, um
eurodeputado romeno conservador, e restantes subscritores, na sequência
da troca de mensagens entre Ursula von der Leyen e o administrador da
farmacêutica Pfizer Albert Bourla durante a negociação das vacinas
contra o vírus SARS-CoV-2, em 2021.“Há uma
escolha a fazer hoje. Podemos seguir o mundo de conspirações de
Gheorghe Piperea [eurodeputado promotor da moção] e esquemas sinistros
[…], ou podemos chamar-lhe o que é: mais uma tentativa de criar divisões
entre as nossas instituições e entre os que são pró-europeus”,
sustentou Ursula von der Leyen.Sobre a
ocultação das mensagens com o administrador da farmacêutica
norte-americana, a presidente do executivo comunitário reconheceu que
consultou “várias organizações”, incluindo não-governamentais, as Nações
Unidas e empresas, nomeadamente farmacêuticas.“Mas
a simplificação de que [as decisões tomadas] foram contrárias aos
interesses europeus é, pura e simplesmente, errada”, comentou.A
polémica começou em 2022 quando o diário The New York Times solicitou
acesso às comunicações, incluindo mensagens textuais, entre Ursula von
der Leyen e o administrador da Pfizer, que foi reconhecido durante uma
entrevista.A Comissão Europeia rejeitou o
acesso às mensagens, alegando que não se classificavam como documentos
do executivo comunitário e que eram de natureza efémera, por isso, não
havia evidências de quaisquer mensagens nos arquivos do executivo do
bloco político-económico europeu.A questão
esteve envolta em ambiguidade e foi desvalorizada pela Comissão
Europeia, mas suscitou dúvidas sobre a transparência da Comissão de
Ursula von der Leyen. Em maio, o Tribunal
Geral da União Europeia decretou que a recusa em facultar as mensagens
violava o princípio da boa administração que está incorporado na
legislação da UE.Os principais críticos da
Comissão Europeia consideram que as vacinas foram negociadas por
mensagens, sem qualquer transparência, ou pelos canais oficiais
utilizados para estas questões.A moção de
censura vai ser votada na quinta-feira, mas deverá chumbar, uma vez que
os representantes dos dois principais grupos políticos, Partido Popular
Europeu (direita e centro-direita, o mesmo de Ursula von der Leyen) e os
Socialistas & Democratas (centro-esquerda), já anunciaram a
oposição à moção.Os liberais, a esquerda e
os verdes no PE também não deverão alinhar na moção de censura
apresentada pelo ECR, que é assumidamente conservador e tem vários
eurodeputados de extrema-direita.É a
primeira moção de censura em dez anos. Desde as primeiras eleições
europeias, em 1979, foram apresentadas sete moções de censura, nenhuma
resultou na queda de um executivo comunitário.Para que chegasse a ser debatida foi necessária a subscrição de pelo menos um décimo dos eurodeputados, ou seja, 72.