Von der Leyen avisa que nenhum país da UE superará crise energética sozinho
Irão
Hoje 12:13
— Lusa/AO Online
Num discurso em Hanover,
após ter sido condecorada com a medalha do estado alemão da Baixa
Saxónia, Ursula von der Leyen abordou a crise energética provocada pela
guerra no Irão para defender que, quando a União Europeia (UE) enfrenta
crises globais, a resposta deve ser “unir-se e não fragmentar-se”.“A
nossa União já ultrapassou uma crise energética [após o início da
guerra na Ucrânia] com unidade e determinação. A segurança energética da
Europa é a nossa prioridade comum e a nossa responsabilidade. Nenhum
Estado-membro pode proteger-se sozinho”, avisou a presidente da Comissão
Europeia.Von der Leyen considerou, contudo, que os Estados-membros da UE conseguirão superar a atual crise se agirem em conjunto.“Podemos
fazê-lo juntos, recorrendo às forças que nos permitem superar todas as
crises: a estabilidade, a resiliência e a força de vontade”, afirmou,
defendendo que, quando se é “fustigado pelo vento, quando antigas
certezas se desmoronam, é necessária estabilidade e resistência”.“Quantas
vezes ouvi dizer, ao longo dos últimos seis anos, que a Europa não
seria capaz de fazer isto ou aquilo? Desde superar a pandemia até
garantir a nossa independência das fontes de energia russas? De apoiar a
Ucrânia à Gronelândia? (…) Nós conseguimos”, afirmou.A
presidente da Comissão Europeia referiu que se vivem tempos em que
“muitas pessoas têm medo do futuro” e disse que o “pessimismo é
corrosivo, não apenas para os indivíduos, mas para a democracia”.“Temos
de ser capazes de imaginar um amanhã que seja melhor do que o hoje. E
trabalhar para o alcançar, por mais desafiantes que sejam as crises, por
mais frágil que seja a esperança”, referiu.Afirmando
que se esforça para deixar aos seus filhos e netos um mundo melhor do
que o atual, Von der Leyen disse que, do seu ponto de vista, “isso
significa uma Europa independente que protege a paz, a liberdade e a
prosperidade”.“Uma União que, no sistema
global, defende os seus valores e interesses. Uma União onde prevalece
uma paz duradoura. (…) Onde prevalece o Estado de direito e não a lei da
selva. Uma Europa que é o nosso lar: rica em natureza, rica em
diversidade”, referiu.Na passada
terça-feira, o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, alertou que
a crise energética causada pelo conflito no Médio Oriente “não será
curta”, sugerindo medidas de redução da procura por pressões no gasóleo e
combustível da aviação.Os Estados Unidos e
Israel lançaram, em 28 de fevereiro, um ataque militar contra o Irão e,
em resposta, Teerão encerrou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca
de 20% do petróleo mundial.Em
consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e
aumentou a instabilidade relacionada com a oferta, pressionando os
preços, com o petróleo a ultrapassar os 100 dólares por barril.Embora
a Comissão Europeia tenha afirmado que o abastecimento energético está
de momento garantido, a volatilidade nos mercados globais de gás,
petróleo e eletricidade continua a pressionar consumidores e indústrias,
assistindo-se a um aumento acentuado dos preços de energia.