Von der Leyen alerta 27 que Europa não pode perder esta oportunidade
UE/Cimeira
19 de jun. de 2020, 09:47
— Lusa/AO Online
Numa mensagem divulgada no início de uma
cimeira por videoconferência na qual os chefes de Estado e de Governo da
União Europeia começam a negociar as propostas de um Fundo de
Recuperação e do orçamento plurianual para 2021-2027 apresentadas pelo
seu executivo comunitário no final de maio, Ursula von der Leyen defende
que o seu plano “é ambicioso e equilibrado”.“Ajuda
não só as economias dos países que foram mais atingidos pelo vírus,
como também os países cujas economias sofreram um forte impacto
indiretamente devido aos confinamentos”, aponta.Segundo
Von der Leyen, “a Europa deve agora investir e reformar para sair da
crise”, e o pacote de recuperação que a Comissão propõe – denominado
«PróximaGeraçãoUE» - está concebido de modo a que a retoma europeia seja
“resiliente, sustentável e digital”. “Por
outras palavras, ajudará a Europa a modernizar-se”, sustenta,
defendendo então que “esta é uma oportunidade que a Europa não pode
desperdiçar”.Ursula von der Leyen exorta
por isso os chefes de Estado e de Governo dos 27 a “focarem-se no
essencial”, pede sentido de união e adverte que “não há tempo a perder”.
Os líderes europeus iniciaram hoje as negociações em torno do Fundo de Recuperação e
orçamento plurianual da UE propostos pela Comissão Europeia, numa
cimeira por videoconferência que, seguramente, não será conclusiva.Na
carta-convite dirigida aos chefes de Estado e de Governo dos 27, entre
os quais o primeiro-ministro António Costa, o próprio presidente do
Conselho Europeu assume que esta primeira cimeira para discutir as
propostas apresentadas em 27 de maio passado pelo executivo comunitário
visa apenas desbravar caminho com vista a um acordo numa posterior
cimeira, já em julho, se possível presencial.Na
missiva, o presidente do Conselho Europeu, que tem procedido a
consultas com os 27 nas últimas semanas, assume que ainda não há
consenso em diversas matérias, que enumera.Essas
matérias são, basicamente, todas as questões-chave do pacote: “o
tamanho e duração dos diversos elementos do Plano de Recuperação”, “as
melhoras formas de alocar a assistência e a questão dos empréstimos e
subvenções”, “questões relacionadas com a condicionalidade e a
governação” e, por fim, “a dimensão e o conteúdo do Quadro Financeiro
Plurianual [2021-2027], incluindo os recursos próprios e os ‘rebates’”,
os descontos de que beneficiam alguns Estados-membros nas suas
contribuições para o orçamento comunitário.Sobre
a mesa, os líderes europeus têm as propostas de um Fundo de Recuperação
da economia europeia no pós-pandemia, no montante global de 750 mil
milhões de euros – 500 mil milhões em subvenções e 250 mil milhões em
empréstimos -, e de um Quadro Financeiro Plurianual revisto para
2021-2027, no valor de 1,1 biliões de euros.Portugal
poderá vir a arrecadar um total de 26,3 mil milhões de euros, 15,5 mil
milhões dos quais em subvenções e os restantes 10,8 milhões sob a forma
de empréstimos (voluntários) em condições muito favoráveis. Como
sucedeu em fevereiro, numa anterior tentativa de chegar a acordo sobre o
orçamento plurianual da União, deverá registar-se um ‘choque’ entre os
chamados países ‘frugais’ [Holanda, Áustria, Dinamarca e Suécia] e um
conjunto bem mais vasto de Estados-membros intitulados ‘amigos da
coesão’.A crise da covid-19, contudo,
provocou novas alianças, já que os interesses dos Estados-membros
divergem em função dos apoios que lhes podem vir a caber no quadro do
Fundo de Recuperação.Inalterada é a
posição dos ‘frugais’, que, além de não quererem aumentar as
contribuições para os cofres comunitários, defendem que os apoios de
recuperação aos países mais fragilizados sejam na forma de empréstimos e
sob condições estritas, e aqui reside o principal obstáculo a
ultrapassar nas negociações. Fontes
diplomáticas congratularam-se por, pelo menos, o “tom” das intervenções
dos diversos Estados-membros nas reações às propostas já não ser tão
‘bélico’ como em fevereiro passado, fazendo votos para que as discussões
de hoje não abram novas ‘frentes’ de conflito entre os 27.