Von der Leyen aguarda “com expectativa” acórdão sobre mecanismo do Estado de direito
8 de nov. de 2021, 12:53
— Lusa/AO Online
“Temos de assegurar que cada euro e cada
cêntimo sejam gastos de acordo com a sua finalidade adequada e em
conformidade com os princípios do Estado de direito. Isto não é apenas
um ingrediente vital das nossas democracias, também cria confiança para
investidores e empresas, neste momento crucial”, afirmou Ursula von der
Leyen, na abertura da conferência anual sobre o orçamento da EU, numa
intervenção por vídeo.Sublinhando que a
Comissão “acaba de começar a implementar o maior pacote alguma vez
financiado ao abrigo do orçamento da UE”, o orçamento plurianual e o
pacote de recuperação e resiliência «NextGenerationEU», que, em
conjunto, representam 2,1 biliões de euros para o período entre 2021 e
2027, a preços correntes”, Von der Leyen reforçou que “este não é apenas
um número impressionante”, mas também “uma declaração” sobre “as
ambições para o futuro da União”, pelo que precisa de ser bem
acautelado.“Evidentemente, um orçamento
deste tamanho vem com uma enorme responsabilidade. Porque enquanto a
nossa União investe mais do que nunca para fazer avançar a nossa
recuperação coletiva, temos de ter especial cuidado para que este
dinheiro seja utilizado de forma adequada e eficaz”, disse. A
presidente do executivo comunitário apontou então que foi por essa
razão que a UE chegou a acordo, em dezembro do ano passado, sobre um
novo mecanismo de condicionalidade, que, enfatizou, “está no cerne do
«NextGenerationEU» e do orçamento europeu”. “Aguardo
com expectativa a decisão do Tribunal de Justiça sobre este mecanismo.
Isto trará clareza para todos na Europa. Porque os investimentos que
permitirão aos nossos filhos ter um futuro melhor não devem desaparecer
em canais ocultos”, declarou.A 29 de
outubro passado, o Parlamento Europeu (PE) formalizou, junto do Tribunal
de Justiça da UE, uma ação contra a Comissão Europeia por esta
instituição não ter acionado o mecanismo que condiciona o acesso a
fundos ao respeito pelo Estado de direito.De
acordo com a assembleia, a Comissão já deveria ter acionado o
regulamento adotado em dezembro de 2020, e em vigor desde o início do
corrente ano, que prevê a suspensão de pagamentos aos Estados-membros em
caso de suspeitas de desrespeito do Estado de direito ou de violação
dos valores europeus.A Comissão liderada
por Von der Leyen tem argumentado que esse mecanismo de condicionalidade
só deve ser ativado depois de o Tribunal de Justiça se pronunciar sobre
o recurso interposto em março passado por dois Estados-membros, Polónia
e Hungria – o que está previsto acontecer no início de dezembro próximo
-, posição que tem sido também defendida por países como Portugal.Em
dezembro passado, por ocasião de duras negociações em Bruxelas em torno
o Fundo de Recuperação e do orçamento plurianual da União para
2021-2027, Varsóvia e Budapeste aceitaram levantar o veto que acenavam a
um acordo e concordaram com o mecanismo que condiciona o acesso aos
fundos europeus ao respeito pelas regras do Estado de direito, mas só
depois de o Conselho Europeu aceitar que o mecanismo não deveria ser
implementado antes de o Tribunal de Justiça se pronunciar em caso de
recurso de anulação por parte de um Estado-membro, e interpuseram
recursos a contestar a legalidade do regulamento.Bruxelas
acolhe hoje, em formato híbrido, mais uma conferência anual sobre o
orçamento da UE, e um dos intervenientes será o primeiro-ministro
António Costa, com uma intervenção por videoconferência prevista para a
parte da tarde.