Von der Leyen adverte que “não interessa a ninguém" perturbar economia global
21 de jan. de 2025, 10:37
— Lusa/AO Online
Na sua intervenção no Fórum
Económico Mundial de Davos, que junta as elites política e mundial nesta
localidade suíça, a presidente do executivo comunitário apontou que a
“ordem mundial cooperativa” que se imaginava há 25 anos “não se
transformou em realidade”, assistindo-se antes a “uma nova era de dura
competição geoestratégica”, e defendeu que é necessário “trabalhar em
conjunto para evitar uma corrida global para o abismo”.Discursando
um dia depois da tomada de posse de Donald Trump como Presidente dos
Estados Unidos, Von der Leyen defendeu que, num contexto em que “as
principais economias do mundo estão a disputar o acesso às
matérias-primas, às novas tecnologias e às rotas comerciais globais” e a
“concorrência se intensifica, é provável que se continue a assistir à
utilização frequente de instrumentos económicos, como sanções, controlos
das exportações e tarifas, destinados a salvaguardar a segurança
económica e nacional”.Garantido que, pela
sua parte, a União Europeia está pronta a cooperar com todos os atores, a
dirigente alemã observou que “este novo compromisso com países de todo o
mundo não é apenas uma necessidade económica, mas também uma mensagem
para o mundo”. “É a resposta da Europa à
crescente concorrência mundial. Queremos uma maior cooperação com todos
os que estão abertos a ela. E isto inclui, naturalmente, os nossos
parceiros mais próximos. Estou a pensar, evidentemente, nos Estados
Unidos da América”, disse, sublinhando que nenhumas outras economias
estão tão integradas como as europeia e norte-americana.“Há
muita coisa em jogo para ambas as partes. Por isso, a nossa primeira
prioridade será empenharmo-nos cedo, discutir interesses comuns e estar
prontos para negociar. Seremos pragmáticos, mas manter-nos-emos sempre
fiéis aos nossos princípios. Proteger os nossos interesses e defender os
nossos valores é a via europeia”, declarou.Também
nesse sentido, Von der Leyen afirmou-se convicta de que a Europa
necessita de se “envolver de forma construtiva com a China, para
encontrar soluções no interesse mútuo”.“O
ano de 2025 marca os 50 anos das relações diplomáticas da nossa União
com a China. Vejo-o como uma oportunidade para nos empenharmos e
aprofundarmos as nossas relações com a China e, sempre que possível, até
para expandirmos os nossos laços comerciais e de investimento. Chegou o
momento de estabelecer uma relação mais equilibrada com a China, num
espírito de equidade e reciprocidade”, defendeu.Abordando
ainda o desejado reforço da cooperação da Europa com o resto do mundo,
Ursula Von der Leyen destacou também a importância da região da
Ásia-Pacífico e aproveitou a oportunidade para anunciar que a primeira
viagem do seu novo mandato à frente da Comissão Europeia será à Índia.“A
primeira viagem da minha nova Comissão será à Índia. Juntamente com o
primeiro-ministro [Narendra] Modi, queremos reforçar a parceria
estratégica com o maior país e a maior democracia do mundo”, revelou.