Vogal do HDES fala em "adulteração" de atas mas antiga presidente nega acusações
23 de abr. de 2025, 18:37
— Lusa
“Não
posso aceitar, porque não compreendo, este tipo de situações que se
passaram, não só pela não elaboração das atas, mas também por questões
da sua adulteração”, referiu o administrador, ouvido hoje na comissão
parlamentar de inquérito ao incêndio no Hospital do Divino Espírito
Santo (HDES), reunida em Ponta Delgada, referindo-se à gestão da
ex-presidente do conselho de administração Manuela Gomes de Menezes.Segundo
José Carvalho, uma das atas das reuniões da administração do maior
hospital dos Açores incluí a posição da antiga presidente, que levantava
dúvidas sobre a opção sugerida pelo Governo Regional (PSD/CDS-PP/ PPM)
de adquisição de um hospital modular para repor o normal funcionamento
da unidade de saúde, que foi danificada por um violento incêndio, em 04
de maio de 2024.“Essa posição nunca
aconteceu”, assegurou o vogal, acrescentando que “a mentira tem perna
curta” e que é “incompreensível” que as atas das reuniões que não foram
elaboradas e aprovadas atempadamente tenham sido redigidas e
apresentadas aos restantes administradores, quase de uma só vez, nos
meses de setembro e outubro do ano passado.José
Carvalho disse também aos deputados que se recusou a assinar as atas
“de cruz”, por não conseguir confirmar se aquilo que estava escrito
correspondia à realidade e lembrou que, além dele, também outros
administradores se recusaram a assinar os documentos.As
acusações do vogal hospitalar, que continua em funções no HDES, foram,
no entanto, negadas por Manuela Gomes de Menezes, que também foi ouvida
hoje na comissão de inquérito, criada pelo parlamento açoriano, por
proposta da bancada do PSD.“São acusações
gravíssimas que são totalmente falsas”, garantiu a ex-presidente do
HDES, acrescentando estar “indignada” pelas declarações “gravíssimas” de
José Carvalho a propósito de uma alegada “adulteração das atas” e
indicando que já encaminhou a situação para os advogados para que seja
reposto o seu “bom nome”.Por outro lado, a
ex-presidente do HDES, entretanto substituída por Paula Macedo
(diretora clínica à altura do incêndio), garantiu que a construção de um
hospital modular, para que fosse retomada a normalidade dos serviços
hospitalares enquanto não fossem realizadas obras de recuperação do
edifício principal, foi uma opção meramente clínica.“O
projeto de um hospital modular, no valor de 11 milhões de euros, não
foi apresentado formalmente à administração”, insistiu Manuela Gomes de
Menezes, garantindo que apenas a direção clínica e a tutela é que
decidiram avançar com o investimento, cujo valor global terá custado
mais do triplo do que o montante inicialmente previsto.O
parlamento açoriano criou uma comissão de inquérito para apurar as
causas e as consequências do incêndio que ocorreu no HDES, e para
avaliar também as medidas tomadas pelo governo na gestão da catástrofe,
após o incêndio.A comissão deverá apresentar um relatório final, no prazo de 120 dias (a contar do mês de fevereiro), com as suas conclusões.O
incêndio que deflagrou no dia 04 de maio no HDES, na ilha de São
Miguel, teve origem “em baterias de correção do fator de potência” e foi
combatido durante cerca de sete horas pelos bombeiros, obrigando à
transferência de todos os doentes internados para outras unidades de
saúde, incluindo para fora da região.Os prejuízos provocados pelo fogo estão estimados em mais de 24 milhões de euros.