“Um
elástico tem um certo alcance. Se ao juntarmos outros, o nosso
horizonte fica infinitamente maior”. Este é o princípio
orientador de Nuno Faria, 23 anos, licenciado em Música,
especialização - performance em clarinete.
O
jovem, natural da vila do Porto Judeu, Angra do Heroísmo, admite que
gosta de tocar música e partilhar conhecimentos com outros músicos,
independentemente do estilo.
“Gosto
de boa música, de vivenciá-la. Tudo depende do poder criativo.
Precisamos de ter a mente aberta, até porque obtemos conhecimentos
quase sem esperar”, especifica.
Para
Nuno Faria, “todas as artes estão interligadas”, destacando, a
propósito, a componente musical em áreas como a “literatura,
teatro, cinema, guionismo e expressão corporal”.
A
sua iniciação musical, com
apenas
nove anos
de idade, está associada às origens familiares e sociais.
Começou
na Escola de Música da Banda Filarmónica da Associação Cultural
do Porto Judeu, onde o pai, José Manuel Faria, também
tocava clarinete.
“Nunca
admiti a hipótese de escolher outro instrumento. O clarinete é
muito versátil, capaz de produzir sonoridades mais intensas ou
melodiosas”, recorda Nuno Faria, que conciliou os cursos de Ensino
Artístico e Ciências e Tecnologias.
Sublinha,
a propósito, o “papel fulcral” desempenhado pelas filarmónicas
nos primeiros passos da aprendizagem musical.
“Em
coletivo, com músicos experientes, é mais fácil aprender. As
filarmónicas contribuem, em muito, para a riquíssima oferta
cultural proporcionada na ilha Terceira”.
Na
sua perspetiva, “ter prazer é o essencial para aprender música,
não obstante todos nascermos com mais ou menos talento
em diferentes
áreas”.
Na
componente pedagógica, Nuno Faria enfatiza “o processo evolutivo
de cada aluno” e o papel da investigação na busca “do como e
porquê das coisas”.O
percurso
Até
aos nove anos de idade Nuno Faria frequentou a Escola de Música da
Banda Filarmónica da Associação Cultural de Porto Judeu. Em 2004,
com 10 anos de idade, integrou a classe do professor Oleg Gunko, no
Conservatório Regional de Angra do Heroísmo e, posteriormente, no
Ensino Artístico da Escola Básica e Secundária Tomás de Borba,
onde viria a concluir o curso
complementar de instrumento
(com 19 valores a clarinete) e, simultaneamente, o curso em Ciências
e Tecnologias. Em 2013, ingressou na Licenciatura em Música,
especialização - performance em clarinete, na classe do professor
Luís Carvalho, na Universidade de Aveiro, tendo concluindo a área
vocacional, em 2016, com 18 valores.
Ao
longo do seu percurso artístico, frequentou master
classes/cursos
de aperfeiçoamento técnico e performativo,
com solistas conceituados: Alain Damien (França), António Rosa
(clarinete mib), António Salgueiro (Espanha), Camilo Irizo
(Espanha), Dean Newcomb (Austrália), Étienne Lamaison
(França), Giorgio
Feroleto (Itália), Josep
Fuster (Espanha), Luís Carvalho, Miguel Costa, Nuno Pinto, Nuno
Silva, Piero Vincenti (Itália), Radovan Cavallin (Croácia), Ricardo
Alves (clarinete baixo e clarinete soprano) e Victor Pereira.
Realizou, também, uma formação teórico-prática, orientada por
Juvino Alves Filho, sobre Chorinhos,
intitulada Oficina
de Chorinhos Brasileiros,
num workshop
sobre a Linguagem
e Notação Contemporânea para Clarinete,
ministrado por Victor Pereira. Através da Orquestra
Angrajazz,
participou num workshop
sobre a improvisação no jazz,
orientado por Pedro Moreira.
Participou
em alguns festivais do panorama nacional e internacional, tais como,
Festivais de Outono, V
Festival Internacional Clarinet
Talents,
42.º
Congresso Internacional de Viola de Arco, ClarMeet.Porto’16,
ClarMeet.Porto’17,
VII Festival de Música e Artes do Dão, Clarinet
Fest
2015 e, ainda, Semana da Cultura Açoriana.
Colaborou
com a Orquestra Filarmonia das Beiras, a Orquestra Sinfónica da
Universidade de Aveiro, a Orquestra Regional Lira Açoriana, a
Orquestra de Sopros da Ilha Terceira, a Banda Militar dos Açores, a
Orquestra de Sopros da Universidade de Aveiro, a Banda Sinfónica do
Conservatório de Música de Aveiro, entre outras formações, onde
realizou programas em
clarinete soprano, clarinete baixo e em clarinete mib.
No que concerne a performances,
desde o reportório orquestral até ao de música de câmara, já
interpretou obras em algumas salas emblemáticas de Portugal e de
Espanha.
Trabalhou,
em orquestra, com os maestros Andreas
Weiss,
Luís
Carvalho, António Vassalo Lourenço, Ernst Schelle, Paulo Martins,
Manuel Fernando Marinho, André Granjo, Antero Ávila, entre outros,
e, em música de câmara, com Jean-Michel Garetti, Luís Carvalho,
António Chagas Rosa e Sérgio Neves.
Quanto
à sua atividade pedagógica e profissional, deu formação e
orientou o naipe
de clarinetes no V e no VI estágios da Filarmónica da Associação
Cultural do Porto Judeu, no estágio inserido no VI Festival de
Bandas Filarmónicas e, ainda, no II Música nas Férias, em Santa
Bárbara da ilha Terceira.
Em
2014, participou num curso de formação em técnica de Alexander com
Isobel Anderson, professora na Royal
Scottish Academy of Music and Drama de
Glasgow,
no intuito de adquirir conhecimentos sobre este método
de reeducação psicofísica nos instrumentistas.
Em
2015 e em 2016, de modo a aprofundar os seus conhecimentos em
direção, teve aulas de técnica com o professor e maestro Vasco
Negreiros.
No
âmbito de projetos artísticos multidisciplinares, teve formação
com os orientadores Paulo Rodrigues e Filipe Lopes. De 2015 a 2016,
frequentou o Curso de Formação Teatral no GrETUA (Grupo
Experimental de Teatro da Universidade de Aveiro), tendo trabalhado
com coordenadores como Miguel Branca, Bruno dos Reis, Pedro Jordão,
João Fino, Andrea Conangla, David Costa e Nuno dos Reis, e, de 2016
a 2017, frequentou
o Curso
de Dramaturgia e Guionismo, organizado pela mesma instituição, com
Mickaël de Oliveira, Marco Mendes, João Leitão, Cláudia Lucas
Chéu, Vasco Sá, David Doutel e Bruno dos Reis. Em 2017, trabalhou
Clown
(um estilo teatral) com o artista Rui Paixão.
Em 2016, Nuno
Faria frequentou o Curso de Língua Gestual Portuguesa, na ESSUA
(Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro), com o docente
Telmo Fernandes, concluindo o nível I nesse mesmo ano.
Em
2017, realizou vários concertos, numa digressão durante o mês de
janeiro, com a Orquestra Filarmonia das Beiras e o pianista Mário
Laginha.
Atualmente,
frequenta o segundo ano do 2.º ciclo de estudos, no Mestrado em
Ensino de Música-Clarinete, na Universidade de Aveiro, e é
professor estagiário no Conservatório de Música de Aveiro Calouste
Gulbenkian.
De
2016 até à presente data, Nuno Faria mantém-se como
bolseiro artístico da Fundação Medeiros e Almeida.