Vitória Pico da Pedra acusa Governo de discriminação

Hoje 09:31 — Arthur Melo

O Vitória Clube do Pico da Pedra acusou o Governo Regional dos Açores (GRA) de discriminar o futebol feminino açoriano, acusando o executivo de praticar “exclusão” em vez de igualdade.Em causa está o facto de, pelo segundo ano consecutivo, ter sido negado ao clube da freguesia do Pico da Pedra apoios para a participação da equipa sénior feminina nas competições nacionais regulares da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), ou seja, a IV Divisão nacional, a Taça de Portugal e a Taça Nacional Feminina Promoção.De acordo com uma nota difundida nas redes sociais, o Vitória considera a decisão governamental “injusta”, estranhando os motivos pelos quais o executivo não reconhece o mérito desportivo conquistado pelo Vitória dentro das quatro linhas.“O Vitória Clube do Pico da Pedra fez tudo o que lhe era exigido. Criou uma equipa sénior feminina sem qualquer apoio do GRA, competiu, venceu e conquistou, dentro de campo, todos os objetivos desportivos ao seu alcance. Campeãs de São Miguel. Campeãs Regionais dos Açores. Direito desportivo inequívoco a representar a Região nas competições nacionais de futebol feminino”, refere o clube.Pese embora as conquistas desportivas alcançadas, o Governo informou o clube que não irá apoiar a participação do Vitória nas competições da FPF, justificando a sua decisão com uma questão “burocrática”.“A justificação apresentada é meramente burocrática: a ausência de um convite formal por parte da FPF ao campeão regional dos Açores. Um argumento que ignora por completo o mérito desportivo conquistado em campo e penaliza um clube e um grupo de atletas por um processo que não controlam e que lhes é totalmente alheio”., revela o clube do Pico da Pedra.Para a direção do Vitória, “esta posição é tanto mais grave quanto injusta”, uma vez que, realçam, “a IV Divisão Nacional não é o escalão mais baixo do futebol feminino, como foi publicamente afirmado pelo Diretor Regional do Desporto. Os campeonatos de ilha representam o nível de base. A IV Divisão é o primeiro patamar nacional, acima das provas regionais. O Vitória chegou lá por mérito próprio”, recorda a direção vitoriana.Tal como na época 2024/2025, o Vitória está a participar na presente temporada nas provas organizadas pela FPF, tendo alcançado a terceira ronda da Taça de Portugal feminina, enquanto no final da primeira fase da IV Divisão alcançou o terceiro lugar da Série L.A partir do próximo dia 25, a equipa vai disputar a Série H da Taça Nacional Feminina Promoção e, ao Açoriano Oriental, Ricardo Estrela, o presidente do clube, garantiu a presença das “vitorianas” na prova, contando para o efeito com o apoio da Câmara Municipal da Ribeira Grande.O clube recorda que enquanto o Instituto Português do Desporto e Juventude apoia logisticamente a presença de equipas do continente na Região Autónoma dos Açores (RAA), o GRA nega “apoio a uma equipa açoriana campeã, que precisa de se deslocar ao continente para competir. Esta assimetria não é defensável, nem do ponto de vista desportivo, nem do ponto de vista da equidade territorial. Mais irónico ainda quando, recentemente, foi afirmado que o Governo não pode tratar os açorianos como portugueses de segunda. A pergunta impõe-se: o que está, afinal, a fazer o GRA ao futebol feminino da RAA?”, questiona o Vitória.Os dirigentes do clube do concelho da Ribeira Grande apontam ainda a discriminação de critérios do atual executivo açoriano no que diz respeito ao apoios ao futebol masculino e futebol feminino.“Este tratamento contrasta de forma chocante com aquilo que se passa no futebol masculino. Enquanto um clube campeão regional feminino é excluído de apoio por uma questão administrativa, assistimos, ano após ano, ao financiamento público de projetos masculinos assentes em investimentos avultados em atletas estrangeiros, muitos dos quais chegam à RAA sem condições dignas de habitabilidade, alimentação adequada ou enquadramento social, realidade amplamente conhecida no meio desportivo. Há dinheiro público para importar atletas, mas não há apoio para quem é da terra. Há financiamento para projetos sem sustentabilidade social, mas não há resposta para quem ganha dentro do campo. Há tolerância para excessos no futebol masculino, mas rigor absoluto quando se trata de futebol feminino”, realça o clube.Apesar dos esforços envidados, o Vitória lamenta o silêncio do presidente do Governo Regional dos Açores, que “nunca respondeu” ao clube, acusando-o de não ter mostrado qualquer “sinal mínimo de respeito institucional por um projeto que honra a RAA”.O clube termina exigindo “justiça, coerência e respeito pelo mérito conquistado em campo”, vincando que “o futebol feminino não se promove com discursos nem intenções. Promove-se com decisões concretas. Neste caso, o GRA falhou com o futebol feminino, com o mérito desportivo e com a igualdade de oportunidades”.