Vítimas exigem saber posição da PGR sobre acórdão que absolveu arguidos
Pedrógão Grande
12 de out. de 2022, 17:40
— Lusa/AO Online
Os
11 arguidos do processo dos incêndios de Pedrógão Grande, que ocorreram
em junho de 2017 e que provocaram 66 vítimas mortais, foram absolvidos
pelo Tribunal Judicial de Leiria a 13 de setembro. O Tribunal
considerou, no acórdão, que “não resultou provado que os óbitos e
ofensas à integridade física verificados, tenham resultado, por ação ou
omissão, da conduta de quaisquer dos arguidos”.Na
carta, enviada na segunda-feira a Lucília Gago e hoje disponibilizada à
agência Lusa, a AVIPG pretende “indagar qual a posição” da PGR em
relação ao acórdão do Tribunal de Leiria.Sem
nunca questionar diretamente se o Ministério Público vai recorrer da
decisão, disse acreditar que “a Justiça ainda está por vir”, depois de
ter auscultado os seus associados “e de muita reflexão”.“Acreditamos
que muitas mortes/fatalidades poderiam ter sido evitadas, caso todas as
entidades tivessem cumprido o que a lei lhes obriga em termos de
limpeza e gestão de combustíveis”, lê-se no texto assinado por Dina
Duarte, presidente da AVIPG.A Associação
de Vítimas enfatizou, na carta, segundo “provas e testemunhos” de
sobreviventes, que “onde havia limpeza [de terrenos] não houve mortes”.Na
sua opinião, esta situação comprova que o fenómeno meteorológico
ocorrido aquando do incêndio de 17 de junho de 2017 “não destruiu tudo
nem matou todos à sua passagem”.“Este
fenómeno não pode justificar, por si só, todas as mortes e feridos.
Assumir que o estar limpo ou não [estar] teria o mesmo efeito, na nossa
humilde opinião, está errado”, enfatizou a AVIPG.Ainda
segundo a associação, assumir que a morte das 66 pessoas
“independentemente da limpeza, prevista na lei, ocorria de igual forma, é
um exercício de mera adivinhação”, acusou.“É
ser conivente com o sistema do ‘deixa andar’, é deixar proliferar a
impunidade dos que devem promover a defesa da população e do seu
bem-estar”, adiantou a presidente da AVIPG.Entre
outros considerandos, a Associação de Vítimas alude à investigação do
caso, questionando se o resultado não teria sido “mais justo e eficaz”,
se cada linha de investigação “tivesse sido tratada de forma
individual”.“Teria a investigação do MP encontrado outros intervenientes com outros graus de responsabilidade?”, perguntou a AVIPG.No
texto, a Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande
interroga-se se a decisão proferida pelo Tribunal de Leiria foi justa,
frisando que “não há indemnização que pague a perda, a ausência, a dor, o
sofrimento e o luto feito de saudade, que não deveria ser certamente de
sentimento de impunidade”.O incêndio que
começou no dia 17 de junho de 2017 em Pedrógão Grande e que alastrou a
vários concelhos vizinhos dos distritos de Leiria e Coimbra, provocou 66
mortos e mais de 250 feridos e destrui cerca de 500 casas e 50
empresas.