Vítimas agradecem apoio português, mas necessidades persistem
Venezuela/Sismo
Hoje 12:35
— Lusa/AO Online
“A ajuda tem chegado e não há palavras para agradecer ao povo português. Tem sido extremamente inspirador ver como pessoas de outras nacionalidades se mobilizaram, de coração, para ajudar o meu país, para ajudar quem mais necessita”, diz uma voluntária à agência Lusa.Bárbara Clisanchez, paramédica e voluntária da fundação “Vuela Venezuela” (Voa Venezuela), recorda que a situação local “tem sido extremamente trágica, que há quem perdeu tudo, inclusive os parentes”.Das vítimas, ouve “histórias verdadeiras, muito, muito tristes”.“E, ver como o povo português se mobilizou para fazer-se sentir e ajudar da forma possível, e fazer chegar essas ajudas, é comovente. Ensina-nos que não estamos sozinhos, que todos ‘somos só um’”, diz, sublinhando que a ajuda de Portugal dá “esperança, ânimo, e mostra às pessoas afetadas que não estão sozinhas”.Clisanchez explica ainda que passados três meses do duplo sismo, tem também ouvido história que são um exemplo de resiliência, em La Guaira, o estado mais afetado do país.“São [gente] muito resiliente e agradecida e isso inspira-nos. Chegamos, sabemos o que aconteceu, as dificuldades que vivem”, mas ainda assim estão “com o ânimo dos ‘guairenhos’, de gente sempre disposta a ajudar, e que apesar das suas dificuldades e necessidades têm sempre um sorriso e dizem ‘obrigado’”, diz.No entanto, conta, os voluntários notam também “um vazio e o desespero dos que pensam que ainda têm muito por enfrentar”.“Mas são simpáticas. E já vi pessoas que passaram por muito a perguntar em que podem ou como podem ajudar-nos e isso é também inspirador para nós”, diz.Clisanchez alerta que três meses depois do duplo sismo, no terreno, a tragédia continua latente com casas destruídas, famílias sem teto, comunidades sem serviços básicos e muitas carências.“Entregamos ‘kits’ de higiene pessoal e alimentos não perecíveis às comunidades mais vulneráveis, mas haverá sempre necessidade de mais ajuda porque não é suficiente para dar resposta a todas as necessidades que existem”, diz.Precisa ainda que a “Vuela Venezuela” tem organizado missões médicas de cuidados a crianças e adultos durante as quais entregam também medicamentos e fazem acompanhamento a pessoas em situação de vulnerabilidade, para que saibam “que não estão sozinhas e que contam com uma enorme rede de gente que os apoia”.O duplo sismo de 24 de junho causou danos graves em infraestruturas, feridos e vítimas mortais em sete estados da Venezuela: Caracas, Miranda, Arágua, Carabobo, Lara, Yaracuy e La Guaira, este último o mais afetado.Após o sismo, o Governo português apoiou a Venezuela e a população venezuelana e luso-venezuelana principalmente com ajuda humanitária de emergência, apoio financeiro a entidades sociais e reforçou a presença consular de apoio à comunidade.A ajuda incluiu duas ambulâncias, ferramentas para remoção de escombros e apoio de busca e salvamento. A Força Operacional Nacional Conjunta (FOCON) foi mobilizada para operações de emergência e a Força Aérea transportou parte dos bens.Houve ainda duas doações importantes de medicamentos: uma de oito toneladas e outra de três toneladas, incluindo antibióticos, analgésicos, antipiréticos e fármacos para doenças crónicas. Por outro lado, a Associação Amigos da Diáspora e os Emigrantes Madeirenses (AADEM) coordenou o envio de 10 contentores com 240 toneladas de alimentos, medicamentos, produtos médicos e de higiene pessoal, recolhidos pela sociedade civil em Portugal.Segundo o último balanço atualizado divulgado pelas autoridades, 6.509 pessoas morreram e 226.696 feridos foram assistidos nos hospitais venezuelanos depois dos sismos.Entre as vítimas mortais, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.