Visita de PR à Madeira é desnecessária e seria só para ver "mato queimado"
1 de set. de 2024, 16:58
— Lusa
“O que é que
ele vem fazer?”, questionou Miguel Albuquerque em declarações aos
jornalistas na freguesia da Ponta Delgada, no concelho de São Vicente,
onde se deslocou para participar na eucaristia do Bom Jesus, o padroeiro
da localidade.O governante madeirense
acrescentou que Marcelo Rebelo de Sousa “não tem nada para ver” na ilha,
apenas “mato queimado” e “não houve nenhuma casa nem nenhuma
infraestrutura afetada”.O responsável
insular adiantou que o Chefe de Estado lhe telefonou para inteirar-se da
situação e lhe deu as explicações necessárias, opinando que este
assunto “está arrumado”.Sobre a situação
de algumas forças e entidades estarem a pedir a demissão de responsáveis
da proteção civil regional, criticando a estratégia adotada para
combater os incêndios de agosto na ilha, respondeu: “Não estou sujeito a
chantagens nem posso trabalhar em função da chantagem”. “Se
querem um líder do governo a deambular consoante aquilo que se diz na
internet ou os gostos momentâneos da opinião pública, nós ficamos sem
rumo”, acrescentou.Albuquerque enfatizou que alguém tem de demonstrar “que houve negligência ou incompetência na gestão dos incêndios”.“Eu
não vou por preconceitos, nem aquilo que se diz nas redes sociais.
Temos que olhar para a realidade”, vincou, sustentando que o combate a
um incêndio como o que deflagrou a 14 de agosto, na Serra de Água, no
município da Ribeira Brava e se propagou nos dias seguintes aos
concelhos de Câmara de Lobos, Ponta do Sol e Santana, que teve focos
ativos durante 13 dias, “faz-se através da contenção”.O
responsável insular destacou que “os resultados estão à vista”, porque
não houve vítimas mortais, nenhuma infraestrutura ou casa afetadas e “só
um núcleo residual da Laurissilva foi afetado”.“A
minha função é fazer tudo aquilo que acho, dentro do quadro que foi
votado do programa do Governo [Regional] aprovado no parlamento, para
manter uma linha de rumo para a Madeira”, sublinhou.Miguel
Albuquerque destacou que a população na Madeira quer estabilidade e
“manter o rumo” e “não entenderia que por questões marginais, houvesse
instabilidade” na região.“Não podemos
andar aqui a saltitar e aos ziguezagues em função dos humores do
momento, sobretudo humores que muitas vezes não refletem a maioria” dos
madeirenses, opinou.Segundo o presidente
do executivo regional, as pessoas só lhe podem exigir que “cumpra aquilo
que são os princípios consignados no programa e que foram sufragados
pela população”.Albuquerque informou que
ainda não recebeu o requerimento para marcar presença na audição no
Parlamento da Madeira para explicações sobre a gestão dos incêndios“Eu ainda não vi. Ainda não decidi e tenho de analisar, depois vou tomar a decisão. Nunca fugi ao escrutínio”, reforçou.O
líder social-democrata madeirense sublinhou “não ter medo de nada e
muito menos do parlamento”, salientando que todos os meses participa em
debates na Assembleia da Madeira.A festa
do Bom Jesus da Ponta Delgada, na Madeira, é a segunda mais importante
da região, depois da do Monte, a padroeira da ilha que se comemora a 15
de agosto, realçou.