Vírus de elevada transmissibilidade estará na origem de surto de gastroenterite no Faial
Hoje 12:05
— Lusa/AO Online
“O agente mais
provável é um vírus de elevada transmissibilidade, mas habitualmente
inofensivo (do grupo dos norovírus, aguardando-se a confirmação em
laboratório)”, informa em comunicado a Delegação de Saúde da Horta.Na
nota, o Delegado de Saúde da ilha do Faial, Armando Faria, refere que a
doença tem afetado sobretudo a população adulta e tem, até agora,
“poupado de forma relativa as pessoas idosas - o grupo de maior risco -,
o que é tranquilizador”.Segundo o
responsável, “não existe qualquer evidência que associe os casos à água
da rede pública, mantendo-se, por precaução, a sua análise”.Relativamente
às primeiras conclusões da investigação epidemiológica, Armando Faria
revela que a análise da curva de casos situa o início do surto em meados
de julho (entre os dias 13 e 20), “após semanas de normalidade”.“Tudo
aponta para uma introdução associada à maior circulação de pessoas
própria do verão - chegadas por via aérea e marítima, sobretudo do
continente, onde o vírus circulava -, com posterior amplificação nos
habituais contextos de convívio estival da ilha (festivais, marina e
praias) e transmissão sustentada de pessoa para pessoa”, admite.O
Delegado de Saúde refere ainda que os números disponíveis “permitem
acompanhar o ‘ritmo’ do surto”: “O número de reprodução efetivo -
quantas pessoas, em média, cada doente infeta - subiu acima de um na
semana de 20 de julho, atingiu cerca de 1,5 e estabilizou, mais
recentemente, em torno de 1,3”. “As
variações de dia para dia na urgência - com maior afluência às segundas e
quartas-feiras e menor ao fim de semana - refletem o padrão de procura
de cuidados, e não alterações do contágio”, acrescenta, reforçando que o
quadro “mantém-se benigno na larguíssima maioria dos casos, com
resolução espontânea em poucos dias”.Os serviços de urgência registaram quase meio milhar de casos entre o dia 01 de julho e terça-feira.Armando
Faria admite que com a manutenção e o reforço das medidas, é
“expectável uma descida progressiva e o regresso à normalidade ao longo
de setembro”.A resposta ao surto tem sido
coordenada com o Hospital da Horta, a Unidade de Saúde da Ilha do Faial,
as equipas de controlo de infeção, a entidade gestora da água e a
autarquia, com monitorização diária e com o apoio técnico da Direcção
Regional da Saúde e da Coordenação Regional de Saúde Pública. O
Delegado de Saúde tem também realizado reuniões com a entidade gestora
da água, representantes da restauração e responsáveis das estruturas
residenciais para idosos e creches, priorizando a proteção das pessoas
mais vulneráveis.“Não há motivo para
alarme; há, sim, motivo para manter os cuidados simples que interrompem a
transmissão”, garante, assegurando que a autoridade de saúde continuará
a acompanhar a evolução e a divulgar novas conclusões à medida que a
investigação avança.À população pede-se que lave frequentemente as mãos com água e sabão e reforce a ingestão de líquidos.Quem
tiver sintomas deve permanecer em casa até recuperar e deve evitar
preparar alimentos para outras pessoas ou visitar lares e o hospital,
até 48 horas após a melhoria.Nos casos
ligeiros, as pessoas devem contactar a Linha Saúde Açores (808 24 60 24)
ou o Centro de Saúde, reservando o Serviço de Urgência para “as
situações com sinais de alarme”.