Violência no namoro continua a crescer e não termina com o fim da relação
Hoje 09:40
— Daniela Arruda
Entre 2022 e 2025, foram apoiadas nos Açores 21 vítimas de violência no
namoro em contexto de relação atual e 42 vítimas após o fim do
relacionamento. Os números foram divulgados pela Associação Portuguesa
de Apoio à Vítima - APAV, no âmbito do Dia dos Namorados, que se
assinala amanhã.A nível nacional, no mesmo período, a APAV apoiou
1343 vítimas enquanto havia ainda relação com a pessoa agressora, o que
representa um aumento de 36,5% ao longo dos últimos anos. Após a rutura,
o número sobe para 2625 vítimas, um crescimento ainda mais expressivo,
de 56,8%. Os números revelam que, para muitas vítimas, a violência não
termina com o fim da relação.A maioria das vítimas apoiadas
encontra-se em relacionamentos heterossexuais (93,4% na relação atual e
93% no pós-rutura) e é do sexo feminino (88,6% nos casos de violência
durante a relação e 87,9% após o término). Segundo o relatório, estes
dados evidenciam, a persistência da desigualdade de género e os padrões
de abuso e controlo que continuam enraizados na sociedade.A
violência no namoro afeta sobretudo jovens adultos. Em contexto de
relação atual, 48% das vítimas têm entre 18 e 34 anos. Dentro deste
grupo, 24,2% têm entre 25 e 34 anos e 23,8% entre 18 e 24 anos. As
vítimas até aos 17 anos representam 8,8% dos casos.Nos casos de
violência após a rutura, a tendência mantém-se. Cerca de 48% das vítimas
têm entre 18 e 34 anos, sendo 26,1% entre os 25 e os 34 anos e 21,9%
entre os 18 e os 24 anos. As vítimas até aos 17 anos correspondem a 5,6%
do total.Relativamente à denúncia, 47,3% das vítimas de violência
na relação atual apresentaram queixa às autoridades. Na pós-rutura, essa
percentagem sobe para 59,3% Ainda assim, uma parte significativa das
vítimas opta por não denunciar, muitas vezes por medo, dependência
emocional ou por se sentirem inseguras.A violência no namoro pode
assumir várias formas: desde psicológica a sexual até à perseguição e
ao controlo, muitas vezes confundida como demonstrações de amor. A APAV
sublinha que comportamentos controladores não são sinais de afeto, mas
sim de abuso. O apoio da associação é gratuito e confidencial, através
da Linha 116 006 e do Chatbot disponível 24 horas por dia.