Violência doméstica contra homens aumentou 48,2% em quatro anos
6 de ago. de 2025, 10:26
— Lusa
O perfil traçado pela
Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) aponta para “um cenário
particularmente vulnerável”: 25,4% das vítimas têm 65 ou mais anos,
84,9% são de nacionalidade portuguesa e 22,9% (841) residem em Faro, o
distrito mais representativo entre os casos registados.Lisboa
registou 692 casos (19,1%), o Porto 502 (13,7%), Braga, 405, (11%) e
Setúbal 276 (7,5%), referem as “Estatísticas APAV - Homens Adultos
Vítimas de Violência Doméstica”, baseadas nos dados referente aos
processos de apoio desenvolvidos presencialmente, por telefone, e-mail e
online, no período compreendido entre 2021 e 2024.Segundo a APAV, a vitimação apresenta “um caráter prolongado e invisível”.Mais
de 54% das vítimas sofreram violência continuada e 29,9% aguardaram
entre dois e seis anos até pedirem ajuda pela primeira vez.Em 61,3% (685) dos casos, a violência ocorreu na residência comum com a pessoa agressora.No que toca às denúncias, apenas 48,7% (1.789) das vítimas apresentaram queixa, enquanto 40,6% (1.490) optaram por não o fazer.Relativamente
ao perfil do agressor, os dados revelam que a maioria são mulheres
(1.974; 52,9%), com idades entre os 36 e 55 anos (27,3%), sendo cônjuges
das vítimas em 20,7% das situações.A APAV
realça que a violência exercida por filhos/as contra os pais, que
representa 12,9% dos casos (479), é preocupante, sobretudo quando
cruzado com a faixa etária avançada de muitas vítimas.“Estes
dados alertam para uma realidade ainda invisibilizada: a violência
doméstica contra homens existe, é grave e precisa de respostas
adequadas”, salienta, lembrando a sua missão de apoio, disponibilizando
atendimento especializado, gratuito e confidencial a vítimas de todos os
crimes. A Linha de Apoio à Vítima, 116 006, funciona de segunda a sexta-feira, entre as 08:00 e as 23:00.