Vinte pessoas detidas na China por participarem em protestos contra política ‘zero covid’
17 de jan. de 2023, 08:41
— Lusa/AO Online
As
detenções ocorreram durante os meses de dezembro e janeiro, sob a
acusação de “perturbação da ordem pública”, de acordo com um anúncio
feito pela organização de defesa dos Direitos Humanos através da rede
social Twitter. Entre os detidos estão jornalistas, artistas, escritores ou professores, denunciou a mesma fonte.“Ficamos
24 horas na esquadra da polícia até que nos libertaram. Mas, quando
achávamos que o assunto estava resolvido, no dia 18 de dezembro, a
polícia começou a prender pessoas. Pelo menos quatro amigos meus
desapareceram. As suas mães estão à procura deles porque querem saber
para onde foram levados”, denunciou Zhi Xin, uma jovem que participou
nos protestos, citada pela organização.O
descontentamento popular generalizado por toda China com a política de
‘zero covid’ resultou em protestos e vigílias pacíficas em cidades como
Pequim e Xangai, no final de novembro. Os manifestantes manifestaram o
seu repúdio às restrições então em vigor e mostraram folhas de papel em
branco, numa critica à censura que vigora na imprensa e redes sociais do
país.Os protestos eclodiram após a morte
de 10 pessoas, num incêndio num prédio sob bloqueio na cidade de Urumqi,
no noroeste da China. Para além de mostrarem o seu descontentamento com
a política de ‘zero covid’, os manifestantes exigiram a renúncia do
presidente chinês, Xi Jinping.Alguns
internautas também difundiram textos na rede social WeChat que
consistiam apenas em palavras como "bem", "sim" ou "tudo bem", em
protesto contra a remoção sistemática de conteúdo crítico à atuação das
autoridades.As autoridades reagiram com o
aumento do destacamento policial e o isolamento das áreas onde foram
realizados protestos. Desde então, alguns depoimentos nas redes sociais
denunciaram a detenção de manifestantes.Logo
após os protestos, as autoridades começaram a desmantelar a política de
'zero covid', dando origem a uma vaga de infeções sem precedentes e a
uma crise de saúde pública no país.