Vinte municípios ultrapassaram limites de endividamento em 2021
7 de nov. de 2022, 13:12
— LUSA/AO Online
Estes
20 municípios tinham no final do ano passado uma dívida total superior
em 1,5 vezes à média da receita corrente líquida cobrada nos três anos
anteriores.Segundo o documento, a lista de
câmaras que ultrapassaram os limites de endividamento é encabeçada por
Fornos de Algodres, Vila Franca do Campo, Vila Real de Santo António,
Cartaxo, Nordeste, Nazaré e Fundão.Os
restantes municípios eram Portimão, Vila Nova de Poiares, Alfândega da
Fé, Freixo de Espada à Cinta, Alandroal, Lagoa (Açores), Reguengos de
Monsaraz, Belmonte, Paços de Ferreira, Seia, Évora, Peso da Régua e
Tabuaço.Segundo a lei das finanças locais,
estes municípios poderão ter cortes de 10% nas transferências do Estado
e devem requerer a aplicação de um plano de saneamento financeiro,
através da contração de um empréstimo.No
entanto, à exceção de oito deles (Freixo de Espada à Cinta, Lagoa -
Açores, Reguengos de Monsaraz, Belmonte, Seia, Évora, Peso da Régua e
Tabuaço), os restantes 12 já estão a pagar empréstimos contraídos por
endividamento ao Fundo de Apoio Municipal (FAM), um programa de ajuda a
municípios em saneamento financeiro.Vila
Real de Santo António também ainda está a pagar um empréstimo contraído
junto de outro programa de ajuda a municípios endividados, o Programa de
Apoio à Economia Local (PAEL).Segundo o
Anuário que analisa as contas dos municípios, três destas autarquias
voltaram a contrair novos reforços junto do FAM em 2021: Vila Franca do
Campo recebeu 1,3 milhões de euros (ME), Nazaré 1,85 ME e Vila Real de
Santo António 257,7 mil euros.No final de
2021, eram 13 os municípios que estavam a pagar ajudas recebidas através
do FAM, um mecanismo de recuperação e de assistência financeira dos
municípios, mediante a aplicação de medidas de reequilíbrio orçamental e
de reestruturação da dívida.O conjunto
destes municípios amortizou nesse ano o total de 9,7 ME euros, mas, em
termos globais, ainda devem ao FAM mais de 438,1 ME.Quanto
aos 103 municípios que recorreram ao PAEL, programa que emprestou
dinheiro às câmaras endividadas entre 2012 e 2015, no final do ano
passado 38 ainda não tinham pago a totalidade das dívidas.Já
no âmbito do Programa de Regularização Extraordinária de Dívidas do
Estado (PREDE), a que recorreram 92 municípios, apenas o município de
Tarouca mantém dívida bancária (de 56 mil euros) ao abrigo desta linha
de apoio financeiro.No Anuário é ainda
sublinhado que 83 municípios dos 159 abrangidos pelos diversos programas
de apoio a câmaras com dívidas apresentaram descida da dívida de curto
prazo entre 2011 e 2021.O Anuário
Financeiro dos Municípios Portugueses relativo a 2021 é da autoria de um
grupo de investigadores, com coordenação da professora Maria José
Fernandes, do Centro de Investigação em Contabilidade e
Fiscalidade(CICF) – Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) e do
Centro de Investigação em Ciência Política (CICP) – Universidade do
Minho.O documento é realizado desde 2004
(em relação às contas de 2003) com o apoio da Ordem dos Contabilistas
Certificados (OCC) e após a apresentação poderá ser consultado em
www.occ.pt.