Vinculação, recrutamento e carreira docente hoje em debate no parlamento
22 de abr. de 2021, 09:51
— Lusa/AO Online
No total, são 11
diplomas sobre as condições laborais dos professores, sete dos quais
projetos de lei do PCP e do BE sobre vinculação, recrutamento e a
contabilização do tempo de trabalho.Relativamente
à vinculação, o PCP propõe a abertura de concursos externos, ainda
durante este ano, para a vinculação extraordinária de todos os docentes
com 10 ou mais anos de serviço, e um outro concurso em 2022 para todos
os docentes com cinco ou mais anos de serviço.No
texto do projeto, os comunistas justificam a medida considerando que a
chamada "norma-travão", que estipula a vinculação dos docentes com três
contratos seguidos em horário completo, é não só insuficiente, mas um
obstáculo pelos requisitos impostos que, no seu entender “levam a que
sejam muitos os que ficam afastados da possibilidade de vincularem”.Também
o BE pretende a vinculação dos docentes com tempo de serviço a partir
dos cinco anos, propondo a criação de um programa extraordinário de
vinculação desses profissionais, fruto de negociação com as estruturas
sindicais.Os dois partidos levam também à
discussão um projeto de lei que determina a revisão do regime de
recrutamento e mobilidade do pessoal do ensino dos ensinos básicos e
secundários, com o PCP a referir, por exemplo, a necessidade de definir
"as condições a partir das quais se torna obrigatória a vinculação",
enquanto os bloquistas sublinham que os professores "precisam de regras
justas, coerentes e estáveis".Concretamente,
o BE quer que o novo regime preveja uma vinculação mais célere e
sistemática, a inclusão dos horários incompletos para efeitos de
mobilidade interna, a redução da dimensão geográfica dos Quadros de Zona
Pedagógica e a alteração dos intervalos horários a que os professores
podem concorrer.O PAN e o PEV levam também
a debate dois projetos de resolução neste âmbito, recomendando ambos
concursos justos que respondam às necessidades das escolas.A
questão dos horários é também referida num outro projeto de lei do PCP
para a contabilização do tempo de trabalho, para efeitos de Segurança
Social, dos docentes contratados a termo com horário incompleto."Há
dois problemas que não podem deixar de ser assinalados: o primeiro
corresponde ao facto de não serem consideradas todas as horas de
trabalho semanal, mas, apenas, as registadas no horário de trabalho ou,
mesmo, as da duração da componente letiva; o segundo problema decorre do
facto de se considerar que os professores têm um contrato a tempo
parcial", lê-se no diploma.Assim, a
proposta do PCP vai no sentido de garantir o direito aos 30 dias para
efeitos de Segurança Social, incluindo prestações, repondo "a legalidade
na contabilização do tempo de trabalho dos professores com horário
incompleto".Sobre este tema, o PSD
apresentou um projeto de resolução, recomendando ao Governo a revisão do
modo da contabilização dos dias de serviço dos docentes contratados, e o
BE, por sua vez, recomenda a redução das desigualdades que afetam os
docentes contratados com horários incompletos.Além
destas propostas, que abrangem a generalidade da classe docente, vão
estar ainda em discussão dois projetos de lei do PCP e do BE
direcionadas aos professores do ensino artístico especializado nas áreas
das artes visuais e audiovisuais, com a abertura de um concurso para a
vinculação extraordinária destes docentes.