Vila do Porto concorda com empresas de acesso ao espaço desde que garantida segurança
Hoje 11:38
— Lusa/AO Online
O executivo municipal aprovou uma declaração conjunta, subscrita pelos cinco eleitos
do PS e do PSD, onde “manifesta concordância genérica na instalação de
empresas na ilha de Santa Maria que promovam o acesso ao espaço, quer em
termos de lançamento, como retorno à Terra, desde que nos respetivos
projetos a licenciar pela entidade competente (ANACOM - Autoridade
Nacional de Comunicações) seja garantida a segurança, saúde e bem-estar
da população mariense, bem como a qualidade ambiental que a ilha
apresenta”.Em comunicado, a
autarquia presidida por Bárbara Chaves (PS), ressalva que a declaração
“não vincula a Câmara Municipal a qualquer tipo de projeto que venha a
ser instalado na ilha e não dispensará o prévio conhecimento de todos os
projetos que pretendam vir a ser instalados, mesmo sem a respetiva
obrigação legal”.O município lembra que
desde o início do século XXI a ilha de Santa Maria tem sido
reconhecida como um local com posição geográfica relevante para as
atividades de observação da Terra e monitorização de lançamento e
rastreio de satélites, lançados da Guiana Francesa.“Nesse
sentido, têm vindo a ser instaladas, ao longo dos últimos 20 anos, um
conjunto de estações de caráter espacial, que se materializam nas
valências e projetos já instalados no Teleporto de Santa Maria e nas
atividades desenvolvidas na estação RAEGE [Rede Atlântica de Estações
Geodinâmicas e Espaciais]”, refere, indicando que, no conjunto, estas
unidades empregam diretamente cerca de 20 trabalhadores.Também
surgiu, há alguns anos, após desenvolvimento de estudos de localização,
a possibilidade de ali se instalar uma unidade de acesso ao espaço,
devido à sua posição geoestratégica.Essa
possibilidade materializa-se atualmente através do licenciamento de
empresas e atividades, “que terão de respeitar um conjunto de regras
legalmente definidas, incluindo, nos casos em que a lei assim o exija, a
realização de estudos de impacte ambiental, como forma de proteção de
pessoas e bens”.Para o executivo municipal
“é categórico que Santa Maria não pode abdicar de qualquer investimento
que se possa revelar como importante fonte de fixação de pessoas,
criação de emprego e desenvolvimento económico, devendo todos ser
ponderados, analisados e verificada a sua importância, independentemente
da sua natureza”.O município entende que a
concretização de projetos e investimentos que promovam a criação de
emprego e a fixação de pessoas, “se constituem como aspeto importante
para o desenvolvimento económico e social da ilha”, reconhecendo neles
“perspetivas muito significativas, podendo ser um importante fator para o
regresso de jovens marienses após completarem os seus estudos”.A
Câmara Municipal de Vila do Porto sublinha, ainda, a importância da
manutenção das condições “que promovam a atividade económica crescente e
consolidada na ilha, nomeadamente ao nível do turismo de natureza, mas
também em termos de consolidação dos nossos produtos agrícolas ou
piscícolas”.Em agosto de 2025, a ANACOM e a
Agência Espacial Portuguesa deram nota da atribuição da primeira
licença de operação de um centro de lançamento espacial em território
nacional, ao Atlantic Spaceport Consortium, que pretende realizar voos
suborbitais a partir da ilha de Santa Maria (Malbusca).A
licença emitida enquadra-se na estratégia nacional para o espaço
“Portugal Espaço 2030” e “refere-se exclusivamente à operação do centro
de lançamento a localizar na Malbusca, não abrangendo as operações de
lançamento propriamente ditas, as quais carecem de licenciamento e
avaliação específica”.A Agência Espacial
Portuguesa adiantou este mês que Portugal concedeu à empresa ATMOS Space
Cargo a primeira licença comercial para a reentrada atmosférica e
recuperação de um veículo espacial, que deve acontecer no segundo
semestre deste ano ao largo da ilha de Santa Maria.