Videoárbitro completa 10.ª época com caminho por fazer
I Liga 2026/27
Hoje 16:08
— Lusa/AO Online
“Acredito
que os adeptos e os clubes esperam mais do VAR e da possibilidade de
intervir em mais situações, mas também há um caminho por fazer no
sentido de perceber até que ponto é que estamos preparados para cada vez
mais intervenções em situações não tão factuais, mas de interpretação”,
assumiu à agência Lusa o antigo ‘juiz’ e atual comentador televisivo,
de 47 anos e com jogos dirigidos na II Liga.Portugal
foi um dos pioneiros no lançamento do VAR, um sistema tecnológico que
fornece imagens vídeo para auxiliar à distância os árbitros de campo,
aprovado em 2016 pelo International Board (IFAB), entidade reguladora
das regras do futebol, sendo utilizado na I Liga desde 2017/18.“Hoje
já se percebe que o árbitro erra porque não está tão bem colocado e só
teve uma vez para ver. Os adeptos não aceitam é que o VAR tenha uma
opinião diferente da sua quando há 10 ângulos. Os lances de
interpretação vão ser uma discussão em torno do VAR, mas há mais caminho
a fazer na educação e na capacidade de as pessoas perceberem certas
situações do jogo do que na definição da intervenção do VAR”, analisou
Jorge Faustino.Perante um erro claro e
óbvio ou incidente grave não detetado, o protocolo já previa assistência
em golos, penáltis, cartões vermelhos diretos e erros de identidade na
advertência ou expulsão, situações às quais se juntam para 2026/27 a
revisão dos pontapés de canto atribuídos incorretamente.“Acho
que existirá sempre ruído. Depois, depende de quem é que a época está a
correr melhor ou pior. Muitas vezes, a época até está a correr bem a
certos clubes, mas estes fazem logo ataques preventivos para poderem ter
já alguma coisa para dizer se começar a correr mal. Esse ruído tem
pouco a ver com a arbitragem, que é sempre o alvo mais fácil para
atacar, e mais com a estratégia de comunicação e a gestão de crise dos
clubes”, admitiu.Os ‘juízes’ receberam
várias orientações do novo diretor técnico nacional de arbitragem da
Federação Portuguesa de Futebol (FPF), João Ferreira, incluindo, entre
outras, “tentar decidir bem e mais rápido no VAR” e “aumentar o tempo
útil de jogo”, que ronda os 55% no escalão principal desde 2021/22,
segundo a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP).“Até
às alterações desta época, estava do lado do árbitro muito do ónus de
tentar acelerar os recomeços, porque os tempos não estavam estipulados. A
partir do momento em que o IFAB define cinco segundos para a execução
de um pontapé de baliza ou um lançamento lateral e 10 na saída de um
jogador numa substituição, passam a ser situações factuais e fica mais
fácil para os árbitros fazerem cumprir a lei”, observou Jorge Faustino.Outra
via para diminuir as perdas de tempo é a saída de um futebolista de
campo por um minuto quando o guarda-redes da respetiva equipa forçar uma
pausa para instruções táticas ou quebrar o ritmo do encontro, medida
que, com a autorização do IFAB, já será experimentada em alguns países.Convicto
de que as novidades nas leis do jogo vão beneficiar “a velocidade e a
dinâmica da partida e a proteção dos futebolistas e da tomada de decisão
dos árbitros”, Jorge Faustino pede “critério uniforme” e espera uma
“época mais bem-sucedida do que a anterior” para o setor, que ainda não
tem a tecnologia semiautomática de fora de jogo ao dispor em Portugal.“Seria
uma medida excelente, mas tenho algumas dúvidas sobre como acontecerá.
Além dos custos, a implementação da tecnologia implica questões
logísticas, nomeadamente na colocação das câmaras com certos ângulos, e
há alguns estádios que têm desafios grandes nisso”, concluiu.