Vice-presidente do Governo dos Açores diz que região é o pilar da ligação entre Europa e América
Hoje 18:00
— Lusa/AO Online
“Se é verdade que fomos a
ponte transatlântica, no passado, através dos nossos emigrantes, somos,
no presente e no futuro, o pilar de ligação entre a Europa e as
Américas, materializados não só pelas rotas aéreas e marítimas, mas
também pelo reconhecimento do oceano profundo, pela conectividade
digital tornada possível pelos cabos submarinos Nuvem e Sol e pelos
desenvolvimentos no acesso ao espaço”, afirmou Artur Lima.“Podemos
vislumbrar novas oportunidades no horizonte das relações
transatlânticas, onde os Açores continuarão a ter, como tiveram no
passado, um papel decisivo”, acrescentou.O
vice-presidente do executivo açoriano falava na sessão
de encerramento de uma conferência promovida pelo eurodeputado açoriano
social-democrata Paulo Nascimento Cabral sobre o papel do arquipélago
nas relações transatlânticas.Artur Lima reiterou que os Açores estão no centro do desenvolvimento de cinco dimensões: terra, ar, mar, espaço e mar profundo.“Esta
é uma realidade geoestratégica que tem de ser valorizada pelo Governo
português, em primeiro lugar, depois pela União Europeia, pelos Estados
Unidos, que são outra parte interessada nos Açores, além, obviamente, de
todos os parceiros da NATO, que têm, nesta ilha e nesta região, uma
base estratégica e importante para a Defesa da Europa”, apontou.O
governante vincou que a Base das Lajes, localizada na ilha Terceira,
“foi decisiva para o convite a Portugal integrar a NATO” e disse que é
“bom lembrar” este facto a Portugal e à Europa.Quanto
às relações com os Estados Unidos, disse que “um país não se confunde
com uma pessoa, nem uma pessoa com um país”, mas alegou que “talvez
tenha sido uma boa coisa para a Europa uma mudança de política nos
Estados Unidos”, que a fez acordar.“A
Europa estava uma espécie de Bela Adormecida, no seu sonho profundo. Não
precisava de nada, porque lhe davam o dinheiro. E, de repente, há
alguém que dá um soco na mesa e acorda a Bela Adormecida. E a Bela
Adormecida Europa pensou no seu futuro, na sua Defesa, nas asneiras do
nuclear que fez”, referiu.O
vice-presidente do Governo Regional falava no final de uma conferência
sobre o papel dos Açores nas relações transatlânticas, que contou com a
participação do presidente do Conselho Consultivo de Informações do
Presidente dos Estados Unidos, Devin Nunes, o eurodeputado do PSD
Sebastião Bugalho e o ex-representante da União Europeia junto da
Organização Mundial do Comércio (OMC) João Aguiar Machado.A
iniciativa foi organizada pelo eurodeputado açoriano Paulo Nascimento
Cabral que defendeu que os Açores assumem uma “importância
extraordinária”, na relação entre a Europa e os Estados Unidos.“Estamos
no meio do Atlântico. Ultraperiféricos para a União Europeia, somos
essenciais na ligação transatlântica. No centro de uma nova agenda
estratégica que deve passar, sem dúvida, pela defesa e segurança, mas
deve ir muito mais além, incluindo energia, ciência, tecnologia, espaço,
economia azul, cibersegurança e proteção das infraestruturas críticas,
entre outros”, apontou.Para Paulo
Nascimento Cabral, os Estados Unidos são o parceiro privilegiado da
Europa, que deve “continuar a aprofundar esta relação de parceria e de
cooperação”.“A União Europeia também deve
ser uma parceira responsável, e isto implica respeitar as escolhas
democráticas e políticas dos americanos e dos Estados Unidos. Os aliados
não precisam concordar em tudo, mas precisam conseguir trabalhar em
conjunto naquilo que é essencial. E os Açores e o Atlântico são
essenciais para voltarmos a estar em comum e a trabalhar em conjunto.
Podemos e devemos ser interlocutores privilegiados entre a União
Europeia e os Estados Unidos”, vincou.O
eurodeputado defendeu ainda que o Partido Popular Europeu (PPE), que o
PSD integra, deve construir pontes e reforçar a cooperação com o Partido
Republicano, nos Estados Unidos.“Isto
exige uma relação política permanente entre parlamentos, partidos,
governos e instituições. E deixo aqui o desafio de criarmos um ‘think
tank’, um grupo de trabalho, uma plataforma de diálogo entre os nossos
grupos políticos para que possa contribuir para retomar, reforçar e
renovar a confiança entre ambas as partes”, reforçou.