Vice-presidente do Governo dos Açores acusa Governo da República de abandonar trabalhadores da Base das Lajes
5 de nov. de 2025, 16:06
— Lusa
“O senhor ministro dos
Negócios Estrangeiros, que nunca me respondeu à cartinha que lhe enviei,
devia ter-se chegado à frente, o senhor ministro da Defesa a seguir. E,
pura e simplesmente, abandonaram trabalhadores portugueses, que
trabalham numa base importante para a manutenção da paz no mundo”,
afirmou o vice-presidente do executivo açoriano, Artur Lima, numa
conferência de imprensa em Angra do Heroísmo.“São
cidadãos portugueses numa situação social difícil e foram completamente
abandonados à sua sorte pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e
pelo Ministério da Defesa”, reforçou.Os
trabalhadores portugueses na Base das Lajes, na ilha Terceira, ao
serviço da USFORAZORES, não receberam o vencimento da última quinzena,
no dia 27 de outubro, e a anterior foi paga com um corte de quatro dias,
devido à paralisação parcial da administração norte-americana, por não
ter sido aprovado o orçamento federal dos Estados Unidos.A
situação foi denunciada pelos trabalhadores no dia 13 de outubro e o
vice-presidente do Governo Regional enviou uma carta ao ministro dos
Negócios Estrangeiros, no dia 15, apelando a que o Governo da República
ativasse todos os canais diplomáticos disponíveis para assegurar o
cumprimento das obrigações contratuais e salariais relativas aos
trabalhadores portugueses civis na Base das Lajes.Sindicato,
trabalhadores e partidos políticos reivindicaram que o Governo da
República adiantasse os montantes em atraso, à semelhança do que
aconteceu em Espanha e Alemanha.O Governo
Regional dos Açores decidiu agora adiantar os salários em atraso,
através do Instituto da Segurança Social dos Açores, que vai recorrer à
banca, com o compromisso de que os encargos com a operação serão
suportados pelo Governo da República.Artur
Lima, que é também líder do CDS-PP nos Açores, não poupou, no entanto,
críticas ao ministro dos Negócios Estrangeiros, o social-democrata Paulo
Rangel, e ao ministro da Defesa, Nuno Melo, que é líder do CDS-PP.“Após
o completo abandono por parte dos ministros dos Negócios Estrangeiros e
da Defesa, que nada disseram e fizeram sobre esta situação e que
ignoraram por completo o que estava a acontecer neste território insular
português, por insistência do Governo Regional, acabou por haver, ao
mais alto nível, um entendimento entre o primeiro-ministro, o presidente
do Governo Regional e um posterior contacto com o ministro das
Finanças”, apontou.Segundo Artur Lima, na
reunião de Conselho de Ministros, que ocorreu na semana passada, com a
participação dos presidentes dos governos regionais, o
primeiro-ministro, Luís Montenegro, comprometeu-se a assegurar o
pagamento dos encargos com a banca, para que fossem adiantados os
salários aos trabalhadores portugueses da Base das Lajes.Para
o vice-presidente do executivo açoriano “é condenável o abandono e a
negligência" que os ministérios dos Negócios Estrangeiros e da
Defesa tiveram para com os açorianos.“Eu
acho que o Governo da República vai ter de se habituar que Portugal já
não tem colónias. Os Açores são uma região autónoma que deve ser
respeitada e considerada. Os Açores dão dimensão atlântica a Portugal,
os Açores acrescentam valor a Portugal e à Europa”, vincou.Artur
Lima admitiu que o Governo Regional dos Açores possa ser acusado de se
“sobrepor” ao Governo da República, mas disse que era preciso evitar que
os trabalhadores da Base das Lajes passassem por “eventuais privações
por não receberem atempadamente o seu ordenado”.“Podemos
ser acusados de nos sobrepormos ao Governo da República ou até que não
deveríamos fazer nada, mas este Governo Regional nunca irá abandonar o
seu povo”, sublinhou.