Vice-presidente diz que PSD "tem responsabilidade de formar governo"
Açores/Eleições
30 de out. de 2020, 14:25
— Lusa/AO Online
Para o vice-presidente de José Manuel
Bolieiro, o PSD/Açores "não pode ser conivente com a possibilidade de
Vasco Cordeiro continuar a liderar os destinos" dos Açores, "com os
infelizes resultados" por "todos" conhecidos, sob pena de os
sociais-democratas perderem "toda a sua credibilidade e, na sequência, o
eleitorado que lhe confiou o seu voto"."O
PSD/Açores tem, assim, a responsabilidade de formar Governo, aliando-se
aos partidos do seu espectro político, e assumir uma nova forma de
desenvolver a Região Autónoma dos Açores", prossegue o dirigente do
PSD/Açores, em texto publicado na sua página Facebook.Para
Nascimento Cabral, O resultado das eleições legislativas regionais
"determinou o fim de um ciclo político dominado" pelo PS."Ao
longo de 24 anos vivemos sob a égide de uma única ideologia,
materializada nos sucessivos governos de Carlos César e de Vasco
Cordeiro, que, mais preocupados em desfrutar e manter o poder pelo
poder, trouxeram a Região Autónoma dos Açores aos piores índices de
desenvolvimento económico, social e cultural", acrescenta o
social-democrata.E concretiza: "Foi contra
toda esta má gestão na nossa vida colectiva e prepotência no exercício
do poder, que o povo dos Açores optou, agora, por conferir ao parlamento
uma maioria à direita".O Conselho
Regional do PSD/Açores, que se reunirá no sábado, tem entre as suas
competências "deliberar sobre coligações, frentes comuns ou associações
com outros partidos no âmbito regional", indicam os estatutos dos
sociais-democratas açorianos.O órgão,
noticiou hoje a agência Lusa, vai reunir-se no sábado à tarde, de forma
digital, para analisar a situação política no arquipélago, depois de um
bloco de direita ter recolhido mais votos do que a esquerda nas eleições
de domingo.A convocatória enviada aos
conselheiros, a que a agência Lusa teve acesso, tem apenas um ponto,
referente à "análise da situação política" no arquipélago.O
Conselho Regional é o órgão no PSD/Açores responsável pelo
desenvolvimento da linha política do partido definida em Congresso
Regional, bem como pela fiscalização política das atividades dos órgãos
regionais e de ilha do partido.Diversas
fontes contactadas pela Lusa reconhecem a existência de conversações
entre o PSD e outros partidos com vista a uma eventual viabilização de
um executivo de direita.O Observador
noticiou na quinta-feira que um eventual acordo escrito que garanta
estabilidade governativa pode ser idealizado para convencer o
representante da República, Pedro Catarino, e o próprio chefe de Estado,
Marcelo Rebelo de Sousa, da solução a apresentar.O
PS venceu as eleições regionais de domingo, elegendo 25 dos deputados à
Assembleia Legislativa Regional, mas um bloco de direita, numa eventual
aliança (no executivo ou com acordos parlamentares) entre PSD, CDS,
Chega, PPM e Iniciativa Liberal poderá funcionar como alternativa de
governação na região, visto uma junção de todos os parlamentares eleitos
dar 29 deputados (o necessário para a maioria absoluta).O PAN, que também elegeu um deputado, pode também viabilizar parlamentarmente um eventual governo mais à direita.A
lei indica que o representante da República nomeará o novo presidente
do Governo Regional "ouvidos os partidos políticos" representados no
novo parlamento açoriano.Segundo indicação
dada à Lusa por fonte do gabinete do representante da República, Pedro
Catarino só poderá ouvir os representantes dos partidos políticos
eleitos este domingo uma vez publicados os resultados oficiais em Diário
da República, o que ainda poderá demorar alguns dias.A
assembleia de apuramento geral dos resultados só inicia os seus
trabalhos “às 09:00 do segundo dia posterior ao da eleição” (terça-feira
passada), tendo de concluir o apuramento dos resultados oficiais “até
ao 10.º dia posterior à eleição”.Esses
dados serão posteriormente enviados à Comissão Nacional de Eleições
(CNE), que terá oito dias para enviar “um mapa oficial com o resultado
das eleições” para publicação em Diário da República.Depois
da tomada de posse do próximo Governo dos Açores, haverá um prazo
máximo de 10 dias para o programa do executivo ser entregue à Assembleia
Legislativa.