Vereador do Ambiente assegura que compromissos de Lisboa Capital Verde Europeia são credíveis
10 de jan. de 2020, 10:42
— Vera Amaro/Lusa
“Todos
nós podemos fazer mais, pequenos gestos, pequenas coisas, podemos fazer
mais. Todos nós temos de fazer escolhas, é como se estivéssemos num
labirinto e temos uma porta boa e uma porta má. Temos de ir pela porta
boa, porque já não há maneira, se formos pela porta má isto vai piorar.
Temos de escolher a porta boa”, disse à agência Lusa o vereador da
Câmara Municipal de Lisboa responsável pelos pelouros do Ambiente,
Estrutura Verde, Clima e Energia, José Sá Fernandes, numa antecipação da
abertura oficial da programação da Lisboa Capital Verde Europeia 2020,
marcada para sábado.Falando da atribuição
da distinção como “um reconhecimento do trabalho que tem sido feito”,
mas também pelos compromissos que a autarquia de Lisboa tem para o
futuro, Sá Fernandes resistiu a destacar alguns deles, porque “as coisas
não podem ser feitas isoladamente” e é preciso ter “uma visão geral da
cidade”.Contudo, o autarca acabou por
eleger as áreas verdes, a água e as energias renováveis como três
elementos em que “o caminho é ambicioso”, mas credível, antecipando que
até 2030 a cidade terá nestas três áreas “uma muito boa performance”.O
verde da cidade foi, aliás, segundo Sá Fernandes, “uma peça
fundamental” para Lisboa ganhar o prémio que até agora tinha distinguido
“aquelas que são referência sempre que se fala de sustentabilidade e
ambiente”, como Copenhaga, Estocolmo e Oslo.“Finalmente
há uma capital do Sul da Europa que ganhou. Não é por ser melhor, não é
melhor que as outras, não é melhor que muitas outras. Mas, evoluiu
muito nos últimos 12 anos nos parâmetros todos, nuns muito, noutros
assim-assim, mas evoluiu”, salientou.E,
segundo o autarca, “o verde” é precisamente uma das áreas em que
“praticamente está tudo feito” e, até ao final do próximo ano, mais de
90% dos munícipes terão a menos de 300 metros de casa um espaço verde
com pelo menos dois mil metros quadrados, “o que numa cidade
consolidada, antiga, é muito bom”.“Vamos
ter 350 hectares em área verde, estamos a falar de metade de Monsanto”,
precisou, estimando que em 2022 “25% da cidade seja verde”.Em
relação à água, o autarca admitiu a necessidade de Lisboa começar “a
pensar que é uma cidade do Sul da Europa” e que tem de se “preocupar com
a escassez”.Portanto, referiu, está a ser
criado um sistema para a rega e lavagem das ruas com água reutilizada
para que, em 2025, praticamente toda a cidade tenha “uma rede de água
reutilizada”.Quanto à energia, há que adaptar a cidade e aproveitar o sol para que exista energia renovável produzida localmente. Nesse
sentido, irá ser construída uma central fotovoltaica em Carnide para
abastecer os autocarros elétricos da Carris e há um grande incentivo
para duplicar o número de instalações de painéis fotovoltaicos em
edifícios.Apesar destes projetos, o
vereador reconheceu que há problemas a resolver, nomeadamente ao nível
dos transportes, apesar do “salto muito qualitativo” que foi dado com a
criação do passe único, a utilização de bicicletas e os carros
elétricos.Agora, acrescentou, há também
que esperar pelo arranque das obras do metro para se ter uma cidade
“ainda mais abrangente” e apostar na ferrovia.“Uma
grande aposta que penso que é decisiva é a ferrovia, a que já existe e
uma que tem de ser ligada - não compete à Câmara, mas tem de se ligar a
linha de Cascais à linha de Cintura”, defendeu.Ao
nível do urbanismo e da construção, Sá Fernandes preconizou a
erradicação da “pobreza energética” para existir “conforto nas casas”,
considerando que os próximos 10 anos são decisivos para a “batalha” do
aproveitamento energético e do conforto térmico das habitações.“É
um problema que não é só de Lisboa, é de todos os sítios, é um problema
da construção civil - que materiais é que usamos e que materiais é que
devemos usar”, disse.Por outro lado,
embora o Plano Diretor Municipal (PDM) aprovado em 2012 já preveja o
Plano Verde e já não se construa em vales, há que fazer “uma adaptação
em relação à previsível subida das águas” e “arranjar maneiras de evitar
mais construções na frente ribeirinha” depois dos chamados “projetos
especiais” da Fundação Champalimaud, do Museu de Arte, Arquitetura e
Tecnologia, e do Terminal de Cruzeiros.“Apesar
de tudo, agora tem de se evitar que se faça mais coisas nessa frente
ribeirinha, porque as pessoas também não querem, apoderaram-se do
sítio”, salientou.