“Verdadeira instabilidade política” em Portugal é da oposição
1 de set. de 2024, 17:06
— Lusa
No
encerramento da Universidade de Verão do PSD, iniciativa de formação de
jovens que termina hoje em Castelo de Vide (Portalegre), Montenegro
deixou ainda um aviso, baseado na sua convicção: “Este governo não
precisa de eleições para governar ou se relegitimar. Temos o suficiente
para cumprir o nosso programa, assim haja responsabilidade política em
Portugal para não haver um bloqueio governativo”.“A
minha convicção é que, neste momento, o país está com o Governo, aquilo
que nós não sabemos é se a oposição vai estar com o país”, disse.Numa
intervenção de cerca de 40 minutos, o primeiro-ministro defendeu que,
“ao contrário do que muitos vaticinaram, Portugal não tem nenhuma
instabilidade no Governo, em Portugal não há nenhuma instabilidade
política tirando a da oposição”. “A
verdadeira instabilidade política que há em Portugal é da oposição, que
passa a vida a dizer uma coisa e o seu contrário, falam antes do tempo e
são impulsivos”, disse.O
primeiro-ministro disse, por várias vezes, que as eleições só estão
marcadas para daqui a quatro anos e devolveu as acusações de
eleitoralismo à oposição: “Quem fala em eleitoralismo é alguém que está a
contar ter eleições mais cedo, mas não somos nós”, disse.Em
concreto sobre as negociações do Orçamento do Estado, Montenegro
salientou que sempre esteve previsto que as negociações fossem retomadas
em setembro, acusando PS e Chega de criarem “fantasmas” e manobras de
distração, à volta deste tema. “O líder do
Chega sente-se despeitado porque viu uma notícia – que por acaso não é
verdade - e concluiu que durante agosto tinha havido negociações entre
PS e PSD e, vai daí de uma forma imatura e precipitada, diz ‘não quero
ter nada a ver com o orçamento’”, criticou.Por
outro lado, continuou, o líder do PS “sente-se despeitado porque
durante o mês de agosto ninguém lhe disse nada”, referindo-se à carta
enviada pelo secretário-geral Pedro Nuno Santos a pedir mais informação
sobre o quadro orçamental e cujas respostas os socialistas não
consideraram satisfatórias.“Pois não, não
era isso que estava combinado. Estamos a 01 de setembro, estamos a
tempo, em tempo e no tempo para falar com os partidos políticos e
concluir a proposta de Orçamento do Estado. De onde vêm estes fantasmas,
de onde vem tanta desorientação?”, questionou.O primeiro-ministro reiterou quais são as duas condições que o Governo coloca na negociação do documento.“Não
vou simular vontade de negociar, vou sentar-me e de uma forma
responsável e leal colocar as questões em cima da mesa. Em segundo
lugar, não nos vamos desviar da essência do nosso programa”, frisou.Montenegro
acusou até PS e Chega de já terem introduzido as principais
condicionantes no documento que o Governo terá de entregar no parlamento
até 10 de outubro, e de que “agora aparentemente se querem
desvincular”.“O Orçamento já está muito
condicionado pelo conluio entre o PS e o Chega: vamos ter uma descida do
IRS diferente do que o Governo queria e mais cara, abolição de
portagens de uma forma que é injusta em si mesmo e descida do IVA da
eletricidade”, elencou.