Ventura quer “papel preponderante” no Governo e rejeita “geringonça à direita”
Chega/Convenção
26 de jan. de 2023, 08:17
— Lusa/AO Online
Em
entrevista à agência Lusa no âmbito da V Convenção Nacional do partido,
que decorre entre sexta-feira e domingo, em Santarém, o líder do Chega e
recandidato para mais um mandato afirmou que este será um momento de
“clarificação de águas” em relação ao futuro.“Se
não houver oposição [a concorrer à liderança do partido], então eu acho
que podemos centrar o Congresso mais no que é que queremos para o
futuro e como é que vamos passar do partido do protesto que elegeu um
deputado ao partido que agora tem doze deputados e quer ser governo”,
afirmou.André Ventura considerou que esta
convenção “é muito importante” porque é a primeira desde que o partido
conseguiu eleger 12 deputados e formar um grupo parlamentar, mas também
porque “provavelmente é a última antes das próximas eleições”.“E
se houver eleições gerais, vamos aceitar um entendimento com o PSD ou
não? Em que moldes? É isto que este congresso tem de decidir, porque
teoricamente, se tudo correr bem, não há outro antes das eleições
gerais, das várias eleições que temos pela frente”, afirmou, defendendo
que o Chega tem de se “preparar bem” e definir como se vai apresentar
aos eleitores.O líder do Chega ressalvou
que a decisão caberá à convenção, mas adiantou que vai propor aos
delegados “não aceitar uma geringonça à direita”, sustentando que “é um
erro reproduzir o modelo” do acordo que vigorou na última legislatura
entre PS, PCP, BE e PEV.“A geringonça
mostrou, aliás, a sua própria fragilidade. Quando os partidos sentem que
simplesmente estão lá para levantar o braço e para baixar, mas não são
corresponsáveis com a governação, o que acontece foi o que vimos, um
governo desmoronar-se, que acabou por cair em outubro de 2021. Portanto,
eu, se o congresso me der o poder de decidir, eu nunca escolheria ir
para uma geringonça à direita”, salientou.André Ventura defendeu que “os partidos que se comprometem com o governo, têm que se comprometer totalmente e até ao fim”. “Uma
solução de governo em que todos garantam a sua diferença, a sua
especificidade, mas que todos são corresponsáveis pelas soluções, porque
aí cria-se um sentimento de solidariedade institucional, e não cada um a
tentar caçar votos por si e sem se preocupar com o país e o governo cai
ao fim de um ano ou de dois ou de três", declarou.O
líder do Chega indicou que vai propor que o partido recuse este tipo de
acordo na Região Autónoma da Madeira mas também nos Açores, onde o
Chega assinou um acordo de incidência parlamentar.Antecipando
que o Chega vai tentar formar governo sozinho, mas reconhecendo que
isso é “muito complicado, muito difícil”, Ventura referiu que, se não
for possível, o objetivo será “governar com um entendimento alargado,
mas com peso predominante no Chega”.André
Ventura afirmou que o partido deverá “procurar entendimentos que levem a
um governo alargado em que o Chega tenha que ter um papel
preponderante, seja isso o que for”.Instado
a clarificar, o presidente e candidato indicou que o partido deverá
integrar um eventual governo, “com ministérios, e com um papel
preponderante nas decisões fundamentais”.No
entanto, apontou que o resultado que o Chega alcançar nas próximas
eleições legislativas será “muito importante”, porque definirá a margem
negocial.E defendeu que os eleitores,
“quando forem votar, têm que perceber com clareza o que é que estão a
votar, e que soluções é que há”, sustentando que nas últimas eleições
legislativas, houve “muitos [eleitores] que se calhar até votariam Chega
ou PSD”, mas “sentiram que o PS era o único que oferecia uma garantia
de estabilidade”, André Ventura.“Eu acho
que isso foi um trunfo de António Costa que nós não soubemos perceber a
tempo e deu numa maioria absoluta que, como se está a ver, é um desastre
para o país”,