Ventura prevê novo sufrágio porque Rio "está com medo"
Açores/Eleições
6 de nov. de 2020, 07:43
— Lusa/AO Online
"Estamos
abertos à negociação. Ou conseguimos convergir na segunda ou
terça-feira ou vamos ter novas eleições nos Açores", afirmou André
Ventura, no parlamento, lamentando a "diabolização" do seu partido.O
deputado único do partido da extrema-direita anunciou que as
negociações com o PSD ficaram "suspensas" na quarta-feira à noite, mas
defendeu que o PSD de Rui Rio só tem como hipótese chegar a acordo para
viabilizar um Governo de direita. Ventura admitiu mesmo abdicar da
medida da castração química de pedófilos inscrita no seu projeto de
revisão constitucional a bem de consensos noutras matérias."Ou
chegamos a um ponto de ingovernabilidade, quer na região, quer na
República, ou começam a perceber que têm de se sentar à mesa com o Chega
e têm de falar como falam com outros partidos. O PSD está com medo de
ser acusado pelo PS e pela extrema-esquerda de estar a falar com o
Chega, mas se não falarem vão falar com quem?", questionou Ventura, no
parlamento.Ventura salientou o "bom
caminho com o PSD em alguns pontos": redução do número de deputados, nos
Açores e na República, criação de um gabinete contra a corrupção e o
clientelismo, também naquele arquipélago, redução para metade em quatro
anos da atribuição do Rendimento Social de Inserção (RSI) naquela região
autónoma, além da reforma da Justiça (composição dos conselhos
superiores da magistratura e tribunais administrativos).Segundo
o líder do Chega, também anunciado candidato presidencial, houve
"conversações e um sentido de aproximação que foi julgado "frutuoso"."Temos, indubitavelmente, pontos de convergência que estou em crer que Rui Rio não desmentirá", continuou.Para
já, "o Chega dará indicações aos seus deputados para que não se
comprometam com nenhuma solução, nem da parte do PS nem do PSD".Segunda-feira,
o líder do PSD-Açores, José Manuel Bolieiro, acompanhado dos
presidentes do CDS-PP e do PPM na região, anunciou um princípio de
acordo para a formação de um Governo Regional, após as eleições
regionais de há 11 dias, à imagem da Aliança Democrática (AD),
encabeçada por Sá Carneiro no final da década de 1970.PSD,
CDS-PP e PPM somam 26 mandatos face aos 25 do PS, partido que governa o
arquipélago desde 1996, ao passo que BE (dois deputados), Chega (dois),
PAN (um) e Iniciativa Liberal (um) são os outros partidos com
representação parlamentar - uma maioria absoluta forma-se com 29
eleitos.