Ventura pede a Montenegro que apresente moção de censura ao Governo
TAP
10 de abr. de 2023, 17:20
— Lusa/AO Online
Este
apelo foi deixado por André Ventura em conferência de imprensa na sede
do partido, em Lisboa, uma vez que o Regimento da Assembleia da
República estabelece que se uma moção de censura não for aprovada, os
seus signatários não poderão apresentar outra na mesma sessão
legislativa - e tanto o Chega como a Iniciativa Liberal já o fizeram na
atual sessão. “Apelo a Luís Montenegro que
apresente com urgência uma moção de censura ao Governo de António
Costa, ficando aqui registado o compromisso do Chega de que se o PSD não
o fizer, a apresentaremos nos primeiros dias de setembro [início da
próxima sessão legislativa]”, assegurou.Já
quanto à capacidade dos partidos da direita oferecerem uma alternativa à
atual governação, Ventura respondeu: “Há sempre alternativa, e o medo
de qualquer alternativa que não gostamos é sempre melhor do que o
pântano das instituições e da corrupção degradada a que estamos a
assistir”. O líder do Chega comentava as
declarações feitas hoje de manhã à Lusa pelo primeiro-ministro, António
Costa, que considerou gravíssimo o e-mail que o ex-secretário de Estado
Hugo Mendes enviou à presidente executiva da TAP a sugerir o adiamento
de uma viagem do avião onde seguiria o chefe de Estado, e afirmou que a
situação teria levado à demissão imediata do secretário de Estado.“Estamos
no grau zero da política, da confiança das instituições e no grau zero
da estabilidade. Em condições normais, este Governo já teria sido
demitido pelo Presidente da República”, afirmou. Na
opinião de Ventura, apenas Marcelo Rebelo de Sousa pode “pôr fim” a
esta situação, cabendo ao parlamento dizer ao Presidente “que acha que
esse é o caminho certo”. “Enquanto só o
Chega e a Iniciativa Liberal andarem a dizer que este é o caminho certo,
e o PSD andar metade de um lado e metade do outro, o Presidente sentirá
sempre que o chão está a tremer e que o chão não está muito estável. O
desafio que eu faço aqui é: vamos mostrar que o chão está estável à
direita”, desafiou.Na opinião de André
Ventura, “pode criticar-se ou pode sugestionar-se que uma alternativa
Chega-PSD (…) não será tão estável” e que “eventualmente criará algum
nível de tensão social nalguns setores da sociedade”. “Aceito
tudo isso, mas a verdade é que não sabemos. O que já sabemos é como é
que António Costa e os seus governantes governam”, apontou, admitindo
entender “a hesitação do Presidente da República”.Ventura
disse não acreditar que o primeiro-ministro não soubesse da reunião,
realizada em 17 de janeiro, entre Christine Ourmières-Widener, deputados
do PS e elementos do Governo, na véspera de uma audição parlamentar da
presidente executiva da transportadora aérea, e admitiu pedir
esclarecimentos por escrito ao primeiro-ministro no âmbito da comissão
de inquérito.O líder do Chega também
criticou o presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva,
por não se pronunciar sobre esta reunião e assegurou que vai pedir
esclarecimentos na próxima conferência de líderes, que se realiza na
quarta-feira.André Ventura divulgou também
mais nomes de políticos que já confirmaram a sua presença para um
encontro organizado pelo Chega com figuras da extrema-direita de vários
países, que vai decorrer nos dias 13 e 14 de maio, em Lisboa. De
acordo com o presidente do Chega, estará em Lisboa “um representante do
Governo de Viktor Orbán [da Hungria]”, entre outros. Quanto ao convite
ao ex-Presidente norte-americano Donald Trump, Ventura disse ainda não
ter qualquer confirmação de presença.O
líder do Chega já tinha anunciado, no fim de semana passado, que o
ex-Presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o vice-primeiro-ministro
italiano, Matteo Salvini, vão estar em Lisboa nesse evento.