Ventura não quer Miguel Arruda sentado junto aos deputados do Chega no plenário

24 de jan. de 2025, 18:00 — Lusa/AO Online

“Porquê é que o deputado Miguel Arruda há de ficar no mesmo lugar onde está?”, questionou, em declarações aos jornalistas no fim da reunião da comissão de inquérito ao caso das crianças luso-brasileiras.Afirmando que o deputado deixou de ser militante do Chega, André Ventura considerou que “não faz sentido que esteja ali ao lado do partido de qual se acabou de desfiliar”.Questionado onde deverá sentar-se o deputado não inscrito, o líder do Chega respondeu que “a conferência de líderes deve decidir um lugar no plenário, de forma equidistante, que não ao lado do Chega”.“O que o Chega quer dizer é que esta questão tem que ser tratada com a devida naturalidade em conferência de líderes e que deve ser visto aí o lugar adequado, que não o mesmo lugar onde está agora”, disse. De manhã, o arranque do plenário ficou marcado por alguma confusão depois de o presidente da Assembleia da República ter anunciado que o deputado eleito pelo Chega Miguel Arruda passou a não inscrito, com o líder parlamentar daquela força política a protestar contra a localização que lhe foi atribuída e a avisar que não se responsabilizaria pelo que se poderia passar durante o plenário de hoje.Questionado sobre este aviso, o presidente do partido afirmou que aquilo que Pedro Pinto “quis transmitir foi que isto devia ter sido visto e devia ter sido decidido” antes da sessão plenária.“Todos sabemos a dificuldade, entre aspas, a complexidade deste processo, nomeadamente nos pedidos e nas exigências que eu próprio fiz enquanto presidente do partido, dizendo que tinha que ser tomada uma opção” e que Miguel Arruda deveria sair do parlamento, disse, proposta que não acatou.Aguiar-Branco fez o anúncio no arranque do plenário e disse que Miguel Arruda ficaria, na sessão de hoje, sentado na última fila entre as bancadas do Chega e do PSD, como já aconteceu em outras situações semelhantes, remetendo uma decisão final para a conferência de líderes.Miguel Arruda ficou sozinho na última fila, e aproximou-se dos deputados do PSD.Nas primeiras votações enquanto deputado não inscrito, votou sempre de forma igual ao Grupo Parlamentar do Chega, esperando a indicação do sentido de voto dos deputados do Chega para indicar o seu de seguida. Quando o Chega corrigia algum sentido de voto, Miguel Arruda de seguia pedia a palavra para fazer o mesmo.Miguel Arruda, que foi cabeça de lista do Chega pelo círculo dos Açores, foi constituído arguido por suspeitas de furtar malas no aeroporto, durante as viagens entre Lisboa e Ponta Delgada, depois de terem sido efetuadas buscas em sua casa.