Ventura diz que voto contra orçamento “é irrevogável”
OE2025
10 de set. de 2024, 15:26
— Lusa/AO Online
Em
declarações aos jornalistas antes do arranque das jornadas parlamentares
do partido, em Castelo Branco, o líder do Chega foi questionado se o
voto contra a proposta orçamental é irrevogável e respondeu: "Com o
entendimento entre o Governo e o PS? Eu diria que sim, é irrevogável".Depois
de o partido ter recuado e ter aceitado participar na reunião de
quarta-feira com o Governo, André Ventura admitiu a participação em
futuros encontros, mas justificou que dependerá "do motivo dessas
reuniões"."Se o Governo nos disser assim
'esta reunião serve única e exclusivamente para negociar a
viabilização do orçamento de Estado', então o Chega não vai
estar presente. Agora, se o Governo nos disser, como nos disse, que vai
apresentar novos dados para compreendermos o cenário macroeconómico,
para podermos tomar decisões sobre o cenário macroeconómico, isso
certamente que estaremos", sustentou.O
presidente do Chega reiterou que o partido está fora das negociações,
admitindo apenas apresentar propostas de alteração na especialidade caso
o documento seja viabilizado na generalidade."O
Chega não vai deixar de apresentar propostas por estar, teoricamente,
fora destas negociações. Eu gostava que o primeiro-ministro e o PSD
entendessem que não é por nós nos colocarmos, por decisão própria do
Governo, fora do documento, que nós não vamos participar neste debate
orçamental. Nós vamos participar neste debate orçamental, nós queremos
participar neste debate orçamental", acrescentou."Nós
dissemos o que é que queríamos fazer e desafiámos o Governo para isso, o
Governo decidiu caminhar ao lado do PS, com medidas do PS, e ainda
agora ouvimos Luís Montenegro dizer que está disponível para mudar o IRS
jovem e o IRC de acordo com o que quer o PS. […] Eu diria que seria
muito, muito difícil não ser irrevogável", afirmou.Ventura
acrescentou que o Chega quer "a estabilidade para o país, mas não tem
medo de eleições" e "está pronto para avançar", disse.Numa
intervenção no final do último painel das jornadas parlamentares, André
Ventura voltou ao tema do Orçamento do Estado e defendeu que, "para lá
do ego de políticos, o Pais precisa de um orçamento" e de "resolver
problemas"."O país precisa de um
orçamento e pode ter um orçamento para resolver problemas estruturais",
indicou, e voltou a desafiar o primeiro-ministro a apresentar um
orçamento retificativo e a manifestar abertura para o viabilizar."Se
o senhor primeiro-ministro, em vez de querer confundir o pais no
Orçamento do Estado para 2025, fizer um orçamento retificativo e ali
colocar os aumentos às forças de segurança, os apoios à natalidade e ao
mundo rural, os tais apoios que ainda ninguém percebeu quais são, a tal
dinamização da máquina da justiça, o apoio aos bombeiros, se quiser, eu
garanto que o Chega estará na primeira linha da viabilização", garantiu,
admitindo que "isso provavelmente não vai acontecer".