Ventura diz que foram aceites "todas as condições", mas mantém "dúvidas"
Plano e Orçamento Açores
25 de nov. de 2021, 15:55
— Lusa/AO Online
Em
declarações à Lusa, André Ventura salientou que, de acordo com o que o
deputado do Chega/Açores lhe transmitiu, o Governo regional “aceitou
todas as condições impostas” pelo partido, mostrando-se, por isso,
“tranquilo” com o voto favorável ao Orçamento Regional dos Açores.“Se
é assim, se o Governo dos Açores cedeu em toda a linha, também não nos
ficaria bem dizer ‘bom, então assim chumbamos à mesma’. Portanto, vamos
ver, eu tenho as minhas dúvidas, mantenho as minhas dúvidas”, salientou.
Questionado
se não há uma incoerência na sua posição, visto que tinha justificado o
voto contra o Orçamento regional sustentando que, se o PSD nacional não
queria fazer um acordo com o Chega a nível nacional, também não o
poderia exigir a nível local, André Ventura respondeu que, no acordo com
o PSD Açores, tinha também sido exigida “uma mudança de atitude da
parte do PSD”, sendo que isso “aparentemente foi aceite também”.“Isso
estava como parte do pressuposto, de que o PSD Açores faria a sua parte
nessa mudança de espírito e de relacionamento. Aparentemente isso foi
aceite”, destacou. Apesar
disso, André Ventura salientou que tem “pouca” esperança que o PSD
nacional mude de atitude, mas afirmou que é preciso esperar para ver
“como é que as coisas correm”. “O
PSD, e sobretudo o PSD Açores, deu essas garantias, segundo me foram
transmitidas. Vamos ver se cumprem ou não cumprem. Também se não cumprem
sabem - e foi dito pelo próprio Chega Açores – que é a última
oportunidade”, salientou.Na
quarta-feira, o deputado único do Chega nos Açores, José Pacheco, votou
a favor do Orçamento Regional dos Açores, afirmando que o “Governo
aceitou as condições estabelecidas” e “o respeito exigido foi
alcançado”. No
mesmo dia, o presidente do Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM), José
Manuel Bolieiro, recusou ter “cedido nos princípios” ou perdido
“coerência” devido ao diálogo com outras forças políticas para
viabilização do Orçamento para 2022, assegurando não ter medo de
eleições.O
voto favorável do Chega/Açores surgiu depois de, na semana passada, a
direção nacional do Chega ter pedido ao partido para retirar o apoio ao
Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM).A
Assembleia Legislativa dos Açores é composta por 57 eleitos e a
coligação de direita (PSD/CDS-PP/PPM), com 26 deputados, precisa de mais
três parlamentares para ter maioria absoluta.A coligação assinou um acordo de incidência parlamentar com o Chega e o PSD com a Iniciativa Liberal (IL).