Ventura congratula-se com intenção reformista de PSD e avisa Marcelo
Covid-19
16 de jan. de 2021, 11:26
— AO Online/ Lusa
“Agora veem que eu tinha razão quando disse que um dos pontos de acordo com o PSD era a reforma da justiça e a reforma do Conselho Superior de Magistratura”, disse André Ventura, após visita ao comando distrital da PSP em Viseu, referindo-se ao entendimento de incidência parlamentar com os sociais-democratas que viabilizou o novo executivo regional dos Açores, em outubro de 2020.Questionado sobre se têm existido contactos, nos últimos tempos, entre a sua força política da extrema-direita parlamentar e o maior partido da oposição (PSD), o deputado único do Chega limitou-se a dizer: “não vou confirmar isso, obrigado”.“Estava em cima da mesa. É o PSD a cumprir a sua palavra. Se for assim e o dr. Rui Rio continuar assim, estamos no bom caminho”, acrescentou, defendendo a sua tese de que existe um acordo com os sociais-democratas para a redução do número de deputados, por exemplo, algo que, na altura, foi prontamente negado pelos responsáveis do PSD.O partido liderado por Rui Rio vai lançar até maio um processo de debate, interno e externo, para preparar uma série de reformas no sistema político, na justiça e para uma revisão constitucional, disse hoje o próprio à Lusa.Na quinta-feira, a comissão política nacional do PSD aprovou a criação de quatro comissões que vão preparar as propostas de reformas nestas áreas.O grupo da revisão constitucional terá de apresentar o seu trabalho até 31 de maio e vai ser coordenado pelo constitucionalista Paulo Mota Pinto, mas incluirá dois independentes, Catarina Santos Botelho e Tiago Duarte, o ex-ministro Luís Marques Guedes, Manuel Teixeira e Paula Cardoso.Já o grupo da reforma do sistema político tem como coordenador David Justino, vice-presidente do partido e antigo titular da pasta da Educação, e inclui outro "vice" do PSD, André Coelho Lima, e mais um ex-ministro, Miguel Poiares Maduro.A coordenar a reforma da Justiça estará Manuel Teixeira, vice-presidente do partido que já tem essa função no Conselho Estratégico Nacional (CEN) do PSD, que integra Isabel Meireles, Licínio Lopes Martins, Mónica Quintela e Montalvão Machado.André Ventura fez ainda questão de apontar o dedo ao atual Presidente da República e recandidato, que é apoiado oficialmente por PSD e CDS-PP.“Eu sei que há um Presidente que prefere não fazer campanha. Acho que isto foi consensual entre todos os candidatos: é um grande desrespeito pela democracia”, criticou.Segundo o líder do Chega, “Marcelo Rebelo de Sousa pensa que isto está ganho”.“Por isso é que não faz tempos de antena, não faz ações de campanha nem aparece em lado nenhum. Talvez dia 24 [de janeiro] tenha uma surpresa”, disse.As eleições presidenciais realizam-se em plena epidemia de covid-19 em Portugal em 24 de janeiro, a 10.ª vez que os cidadãos portugueses escolhem o chefe de Estado em democracia, desde 1976. A campanha eleitoral começou no dia 10 e termina em 22 de janeiro.Há sete candidatos: o incumbente Marcelo Rebelo de Sousa (apoiado oficialmente por PSD e CDS-PP), a diplomata e ex-eurodeputada do PS Ana Gomes (PAN e Livre), o deputado único do Chega, André Ventura, o eurodeputado e dirigente comunista, João Ferreira (PCP e “Os Verdes”), a eurodeputada e dirigente do BE, Marisa Matias, o fundador da Iniciativa Liberal Tiago Mayan e o calceteiro e ex-autarca socialista Vitorino Silva (“Tino de Rans”, presidente do RIR - Reagir, Incluir, Reciclar).