Ventura afirma que “toda a gente quer ser inimigo” do Chega
Legislativas
27 de jan. de 2022, 11:59
— Lusa/AO Online
“De mim, toda a gente
quer ser inimigo, do Chega toda a gente quer ser inimigo”, apontou André
Ventura, perante uma plateia de cerca de 100 militantes em Beja.No
discurso, o líder do Chega recordou que o primeiro-ministro, António
Costa, disse sentir-se “orgulhoso de ser o maior inimigo do Chega”, e
que também o presidente do PSD, Rui Rio, e a líder do
Pessoas-Animais-Natureza (PAN), Inês de Sousa Real, já reivindicaram
esse título.“Neste momento, temos quase
uma disputa para ver quem é o maior inimigo do Chega”, disse o
presidente do partido, que já defendeu medidas inconstitucionais como a
prisão perpétua ou a castração química e apresentou propostas com base
na discriminação de determinadas comunidades, como o confinamento de
ciganos ou a limitação de imigração de países islâmicos.Apesar
da voz rouca a acusar o cansaço da campanha, o discurso de Ventura foi
inflamado e centrou-se no PS, recordando o ex-ministro Armando Vara, que
viu na quarta-feira a Relação confirmar a pena de prisão de dois anos
por branqueamento de capitais, e o antigo primeiro-ministro socialista
José Sócrates.“A canalha socialista, a canalha socrática está toda dentro do PS”, acusou André Ventura.A
meio do discurso, os ataques de Ventura viraram-se para a comunidade
cigana, acusando-a de não cumprir as regras, apesar de não ter apontado
para nenhum dado que comprove tal afirmação. “O
problema do Estado foi ter medo. […] Não vamos ter medo de nenhuma
comunidade em Portugal”, disse Ventura, recentemente condenado por
ofensas ao direito à honra de uma família do Bairro da Jamaica, no
Seixal, em que o Tribunal considerou haver uma “vertente discriminatória
em função da cor da pele e da situação socioeconómica” dos visados.Durante
o jantar-comício, houve vários momentos em que militantes não
respeitaram as regras sanitárias impostas pela covid-19, dançando sem
máscaras, nomeadamente ao som de “Apita o Comboio”.