Venezuelanos na Madeira entregam no parlamento regional atas que comprovam derrota de Maduro
16 de ago. de 2024, 12:15
— Lusa/AO Online
O
Comando Com Venezuela de Portugal entregou ao presidente da Assembleia
Legislativa Regional, José Manuel Rodrigues, as atas obtidas dos
diferentes centros de votação que demonstram “que o Presidente da
República Bolivariana de Venezuela é Edmundo González Urrutia com
7.173.152 votos, contra os 3.250.424 que obteve Nicolás Maduro”.Falando
aos presentes na concentração, antes do encontro com José Manuel
Rodrigues, Ana Cristina Monteiro, uma das organizadoras, realçou que a
iniciativa visa exigir que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE)
divulgue as atas das eleições de 28 de julho. A
também presidente Associação da Comunidade de Imigrantes Venezuelanos
na Madeira (Venecom) apelou para que os partidos com representação no
parlamento regional aprovem uma proposta para que a Assembleia da
República “exija à Venezuela uma resposta”.“É
importante para a Venezuela ter o apoio político de todos os partidos
democráticos”, afirmou, reforçando que é necessário “recuperar” aquele
país da ditadura. Lídia Albornoz, que leu
o documento entregue ao presidente da Assembleia Legislativa Regional,
destacou os problemas com que se deparam os venezuelanos, nomeadamente
na área da saúde, com falta de cuidados e de medicação, assim como de
segurança. “A comunidade venezuelana
anseia por um país livre de repressão”, vincou, defendendo que “Nicolás
Maduro tem de ser preso porque é um criminoso”. No
final da reunião, José Manuel Rodrigues (CDS-PP) saudou a iniciativa,
manifestando admiração pela luta que a comunidade “tem travado na
Madeira para que a democracia chegue à Venezuela e para que os
resultados eleitorais […] sejam tornados públicos”.“Mas
queria sobretudo enaltecer a luta daqueles que estão na Venezuela, que
pacificamente estão a resistir com uma enorme coragem a um processo de
perseguições e de outras maleitas que violam os direitos humanos”,
acrescentou. O presidente do parlamento
regional desejou também que "exista um processo de reconhecimento
internacional do processo eleitoral na Venezuela de verificação
independente das atas".A Venezuela, país
que conta com uma expressiva comunidade de portugueses e de
lusodescendentes, realizou eleições presidenciais no passado dia 28 de
julho, após as quais o CNE atribuiu a vitória a Nicolás Maduro com pouco
mais de 51% dos votos, enquanto a oposição afirma que o seu candidato, o
antigo diplomata Edmundo González Urrutia obteve quase 70% dos votos.A
oposição venezuelana e diversos países da comunidade internacional
denunciaram uma fraude eleitoral e exigiram que sejam apresentadas as
atas de votação para uma verificação independente, o que o CNE diz ser
inviável devido a um “ciberataque” de que alegadamente foi alvo.A
oposição venezuelana convocou um “grande protesto mundial pela verdade”
no próximo sábado em mais de 100 cidades do mundo, incluindo Portugal.