Venezuelana Maria Corina Machado vence Prémio Nobel da Paz 2025
10 de out. de 2025, 11:56
— Lusa/AO Online
A
líder da oposição foi premiada “pelo seu trabalho incansável na
promoção dos direitos democráticos do povo da Venezuela e pela sua luta
para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a
democracia”, explicou a organização do Nobel.“Enquanto
líder do movimento pela democracia na Venezuela, María Corina Machado é
um dos exemplos mais extraordinários de coragem civil na América Latina
nos últimos tempos”, sublinhou o Comité.Nascida
em 1967, na Venezuela, Maria Corina Machado é uma das principais vozes
da oposição democrática ao regime de Nicolás Maduro, tendo sido
candidata favorita à vitória nas eleições presidenciais de julho de
2024.No entanto, foi impedida de concorrer
quando, em janeiro de 2024, o Supremo Tribunal de Justiça, alinhado com
o Governo de Maduro, a proibiu de ocupar cargos públicos durante 15
anos. Sublinhando que o Prémio Nobel da
Paz foi atribuído, este ano, a uma “corajosa e empenhada defensora da
paz”, o porta-voz do Comité do Nobel explicou tratar-se de “uma mulher
que mantém a chama da democracia acesa no meio da crescente escuridão”.Para
a organização do Prémio Nobel, Maria Corina Machado tem sido uma
“figura-chave e unificadora numa oposição política que anteriormente
estava profundamente dividida”, exigindo eleições livres e um governo
representativo.“Numa altura em que a democracia está ameaçada, é mais importante do que nunca defender” isto, adiantou.Fundadora
da Súmate, uma organização dedicada ao desenvolvimento democrático,
Maria Corina Machado “defende eleições livres e justas há mais de 20
anos”, referiu o Comité, lembrando uma declaração da própria: “Foi uma
escolha de votos em vez de balas”. A
opositora venezuelana “tem defendido a independência judicial, os
direitos humanos e a representação popular” e passou “anos a trabalhar
pela liberdade do povo venezuelano”, acrescentou o Comité Nobel,
lembrando que “a democracia é uma pré-condição para uma paz duradoura”.O
Comité afirmou ainda que o mundo vive hoje um momento em que “a
democracia está em retrocesso e onde cada vez mais regimes autoritários
desafiam as normas e recorrem à violência”.A situação de repressão na Venezuela não é única, admitiu a mesma fonte.“Observamos
as mesmas tendências a nível global: Estado de direito violado por quem
o controla, meios de comunicação livres silenciados, críticos presos e
sociedades empurradas para o regime autoritário e para a militarização”.
Mas, “quando os autoritários tomam o
poder, é crucial reconhecer os corajosos defensores da liberdade que se
levantam e resistem”, defendeu, sublinhando que Maria Corina Machado
vive desde o ano passado escondida na Venezuela, mas que, “apesar das
graves ameaças contra a sua vida, permanece no país, uma escolha que
inspirou milhões de pessoas”.Por isso,
explicou o Comité do Nobel, María Corina Machado cumpre os três
critérios estabelecidos no testamento de Alfred Nobel para a seleção de
um laureado com o Prémio da Paz.“Uniu a
oposição do seu país. Nunca vacilou na resistência à militarização da
sociedade venezuelana. Tem sido firme no seu apoio a uma transição
pacífica para a democracia”, concluiu.O
Prémio Nobel, que consiste num diploma, numa medalha de ouro e num
cheque de 11 milhões de coroas suecas (cerca de 970 mil euros), será
entregue formalmente em 10 de dezembro, em Oslo.Em
2024, o comité norueguês atribuiu o Nobel da Paz à organização japonesa
Nihon Hidankyo, de sobreviventes das bombas atómicas lançadas pelos
Estados Unidos em Hiroshima e Nagasaki durante a II Guerra Mundial.