Venezuela/Sismo: Cáritas diz que 200 mil pessoas precisam de ajuda
Hoje 11:56
— Lusa
“Vamos precisar de, pelo menos, um ano a acompanhar as pessoas, tanto no que diz respeito às necessidades básicas, como também na forma de as integrar através de melhorias habitacionais, transferências monetárias, ajuda com bens de primeira necessidade, mas também com meios de subsistência, para que possam realmente integrar-se”, alertou na sexta-feira a diretora nacional da Cáritas Venezuela.Janeth Márquez falava à Lusa em Cátia La Mar, no âmbito de uma visita a zonas afetadas do estado de La Guaira.“Esta tragédia afetou seis estados: La Guaira, o mais afetado, seguindo-se Caracas, Carabobo, Falcón, Miranda e Arágua, que a Igreja está a apoiar ativamente por oito Cáritas diocesanas, em colaboração com a Cáritas Nacional, que fornece as orientações, os manuais, os procedimentos e, acima de tudo, os princípios transversais de transparência e de prestação de contas sobre os recursos que nos são concedidos, para que as pessoas saibam que o que chega à Cáritas chega às pessoas”, disse.Janeth Márquez explicou que há mais de 10 anos que a Venezuela passa por uma crise e que há um grande número de pessoas cuja subsistência está a ser afetada, inclusive, em La Guaira, “pessoas cujas casas não ruíram, mas que dependem do turismo e do trabalho no porto” marítimo.A dirigente explicou ainda que, passado pouco mais de mês e meio do sismo, os venezuelanos “ainda não superaram a dor de um acontecimento adverso que foi muito grave”.“Tiveram de despedir-se de muitos dos familiares, mas ainda há muitas pessoas que não conseguem encontrar os seus familiares entre estes escombros. Mas temos, de alguma forma, de encerrar esta fase para dar início à próxima, ajudar as pessoas a reintegrarem-se na sociedade, mesmo sem familiares, sem casa e com muitas necessidades”, disse Márquez.Por outro lado, a diretora nacional da Cáritas Venezuela explicou que, na primeira semana após o duplo sismo, foi importante a solidariedade dos próprios venezuelanos, que doavam o que podiam.“Depois começou também a chegar a solidariedade de outros países e a solidariedade do povo de Portugal, que também chegou para nos ajudar. Agradecemos ao povo de Portugal que nos estendeu a mão, nos deu o seu carinho e as suas orações, mas também a sua solidariedade financeira; no entanto, vamos continuar a precisar disso para podermos continuar a estender uma mão de ajuda, para que as pessoas possam depois seguir o seu caminho sozinhas”, disse.Márquez explicou ainda que uma das primeiras ajudas a chegar ao país foi da Madeira, que a Venezuela é um país que acolhe muitos estrangeiros e que para muitos residentes da capital Caracas o estado de La Guaira é como que "a casa do lado", onde passam férias e vão à praia.“É um pulmão importante e vê-la destruída novamente é uma dor muito grande”, disse, recordando que, em 1999, grandes enxurradas destruíram quase todo a região.“há 26 anos tivemos que responder às enxurradas e agora voltamos a ver os mesmos lugares, destruídos. A dor é muito grande, muita gente se recuperou e agora está novamente sem casa”, frisou.Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 6.301 mortos e 73.356 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.Entre os mortos, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.