Venezuela quer cancelar acordos energéticos com o Trinidad por causa de apoio aos EUA
28 de out. de 2025, 13:32
— Lusa/AO Online
Trinidad
e Tobago está agora a acolher um dos navios de guerra dos EUA
envolvidos numa campanha polémica para destruir lanchas venezuelanas
que, alegadamente, transportam droga para os Estados Unidos. No
domingo, o USS Gravely, um destróier equipado com mísseis guiados,
chegou a Trinidad para realizar exercícios conjuntos com a marinha de
Trinidad. As autoridades venezuelanas
descreveram a decisão de Trinidad de acolher o navio como uma
provocação, enquanto o governo do país afirmou que os exercícios
conjuntos com os EUA acontecem regularmente. "O
primeiro-ministro de Trinidad decidiu juntar-se à agenda belicista dos
Estados Unidos", afirmou hoje a vice-presidente da Venezuela, Delcy
Rodríguez, em declarações na televisão nacional. Em
mensagens de texto à Associated Press, a primeira-ministra de Trinidad e
Tobago, Kamla Persad-Bissessar, reagiu dizendo que não estava
preocupada com o cancelamento potencial do acordo energético,
acrescentando que os exercícios de treino militar eram exclusivamente
para fins de "segurança interna". "O nosso
futuro não depende da Venezuela e nunca dependerá," escreveu
Persad-Bissessar. "Temos os nossos planos e projetos para fazer crescer a
nossa economia, tanto no setor energético como no não energético",
acrescentou. Rodríguez, que também é
ministra dos hidrocarbonetos da Venezuela, disse que pediria ao
Presidente Nicolás Maduro para se retirar de um acordo de 2015, que
permite aos países vizinhos realizar projetos conjuntos de exploração de
gás natural nas águas entre ambas as nações. Trinidad e Venezuela estão separadas por uma pequena baía que tem apenas 11 quilómetros de largura no ponto mais estreito. Ao
contrário de outros líderes da América Latina e da região das Caraíbas,
que compararam ataques a supostas embarcações de droga a execuções
extrajudiciais, Persad-Bissessar apoiou a campanha dos EUA. A
chefe do executivo de Trinidad disse que preferia ver os traficantes de
droga "fragmentados" do que vê-los matar os cidadãos da sua nação."Estou
cansada de ver os nossos cidadãos assassinados e aterrorizados devido à
violência de gangues, impulsionada pelo tráfico ilegal de drogas e
armas", sublinhou à agência de notícias Associated Press. Trinidad,
que tem uma população de cerca de 1,4 milhões de pessoas, é por vezes
usada por traficantes para armazenar e classificar drogas antes de as
enviar para a Europa e América do Norte. O
governo da Venezuela descreveu o reforço militar dos EUA na região das
Caraíbas como uma ameaça, e alguns dos seus responsáveis afirmam que o
envio de navios de guerra norte-americanos para a região faz parte de um
esforço para derrubar Maduro, que tem sido amplamente acusado de roubar
a eleição do ano passado. As tensões
entre a Venezuela e os Estados Unidos intensificaram-se na semana
passada, quando a administração Trump anunciou que iria enviar o seu
maior porta-aviões para o sul das Caraíbas, completando uma flotilha que
já inclui oito navios de guerra, um submarino, drones e aviões caças. A
administração Trump lançou desde setembro 10 ataques contra supostas
embarcações transportadoras de droga. Pelo menos 43 pessoas foram mortas
nos ataques controversos.