Venezuela propõe um novo sistema financeiro mundial em cimeira dos BRICS
25 de out. de 2024, 12:29
— Lusa/AO Online
A
proposta foi feita pelo Presidente, Nicolás Maduro, durante a reunião
que juntou o grupo das principais economias emergentes e teve como
anfitrião do Presidente russo, Vladimir Putin.“Há
necessidade (…) de um novo sistema monetário mundial. E é preciso
dizê-lo com nome e apelido, porque todos estamos conscientes de uma nova
necessidade. Não se trata apenas de fazer pequenas reformas no sistema
monetário, no sistema financeiro, que por vezes parece não resistir a
reformas, porque os velhos países, os países coloniais do Ocidente,
gostariam de reimpor a sua hegemonia através dos mecanismos da moeda
hegemónica, do sistema financeiro, dos créditos e da imposição de
pacotes e condições económicas”, defendeu o líder venezuelano.Na
intervenção, Nicolás Maduro saudou e insistiu na necessidade de
“avançar em passos mais audazes na consolidação do novo banco dos BRICS”
que disse ser “uma necessidade para os povos do sul, para o seu
desenvolvimento, para aceder a investimentos”.“Que
se avance em um novo sistema de pagamentos, que substitua os sistemas
de pagamentos que são por vezes utilizados como armas de agressão. A
Venezuela foi retirada de todos os sistemas de pagamento a nível mundial
como parte das agressões, das punições económicas, para a mudança de
regime político (…). É necessário um cabaz de moedas que combine as
moedas fortes da superpotência com o direito de cada um dos nossos
países a ter a sua própria moeda”, frisou.Maduro
sublinhou ainda que “há que procurar soluções práticas para os
problemas do desenvolvimento de uma nova economia inclusiva de países
independentes que aspirem à felicidade social, à dignidade”.Por
outro lado, insistiu que é necessário refundar o sistema das Nações
Unidas e questionou onde está o Tribunal Internacional de Justiça (TPI)
cada vez que a Faixa de Gaza é agredida, lançando a pergunta: Ou “foi
criado apenas para perseguir os países do Sul?”.“Cada
vez que um míssil de alta precisão cai num edifício de apartamentos em
Gaza e mata homens, mulheres e crianças, cada vez que um míssil cai em
Beirute ou no sul do Líbano, esses mísseis incendeiam e destroem o
sistema das Nações Unidas”, afirmou, apresentando à plateia outras duas
perguntas: “Onde está o sistema de justiça das Nações Unidas? Só para
emitir documentos, comunicados e a vida das crianças da Palestina não
valem?”.O Presidente da Venezuela exortou
aos líderes presentes a levantarem bem alto a voz e a procurarem um
plano prático e audacioso para a refundação do sistema das Nações
Unidas, “que agoniza perante o surgimento de correntes nazis e fascistas
ao longo desta dolorosa conjuntura histórica”.“Um
novo mundo é possível. Acreditamos que um novo mundo já nasceu. O BRICS
é o epicentro do nascimento e do parto histórico desse novo mundo. Um
mundo com valores e princípios profundamente humanos”, concluiu.O
grupo BRICS, fundado informalmente em 2006 e que realizou a sua
primeira cimeira em 2009, inclui países que representam cerca de um
terço da economia mundial e mais de 40% da população global.Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Etiópia, Irão, Egito e Emirados Árabes Unidos integram atualmente o bloco.Analistas
internacionais sublinharam que nesta cimeira, o Presidente russo,
Vladimir Putin, quis mostrar ao mundo que a Rússia não está tão isolada
como o Ocidente tem afirmado, ao mesmo tempo que pretendeu abrir caminho
para a formação de uma nova frente global que pretende desafiar a
hegemonia dos Estados Unidos.