Venezuela garante estar preparada para se defender se Estados Unidos atacarem o país
22 de ago. de 2025, 12:28
— Lusa/AO Online
Caracas
recebeu como ameaça a notícia de que Washington enviou para águas
caribenhas navios lança-mísseis e 4.000 fuzileiros numa alegada operação
contra cartéis narcotraficantes, em resposta à qual Caracas anunciou a
deslocação por todo o país de 4,5 milhões de milicianos, componente da
Força Armada Nacional Bolivariana (FANB).O
Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, apelou esta quinta-feira a uma
mobilização este fim de semana da milícia, dos reservistas e de “todo o
povo”, para enfrentarem as “ameaças” dos Estados Unidos.“Considero
necessário e oportuno que no sábado e no domingo tenhamos um grande dia
de mobilização (...) para dizer ao imperialismo: Chega de ameaças! A
Venezuela rejeita-vos, a Venezuela quer a paz!”, declarou Maduro durante
uma cerimónia de condecoração de milicianos.“Eu
digo aos Estados Unidos para não ousarem meter a mão aqui na Venezuela.
Digo isso em nome da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), que
sente isso nos corações e nas almas, para que não ousem, que não seremos
apenas as Forças Armadas”, disse em um vídeo divulgado nas redes
sociais Vladimir Padrino López.O ministro
explicou que os venezuelanos “são um povo unido, com identidade
nacional, que quer e ama a paz, que quer e ama a pátria”.“Não
ponham um pé em território venezuelano nem agridam a nossa soberania,
porque não seria apenas [contra] a Venezuela, seria uma agressão contra
toda a América Latina”, acrescentou. “Mesmo
que existam governos vassalos, amantes dos senhores imperiais, mesmo
assim, os povos estão aí. Isso seria uma agressão contra todos os povos
da América Latina e das Caraíbas”, disse ainda Padrino Lopez.Num
evento separado, durante um ato com militares, o ministro rotulou o
secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, como “nauseabundo”, por
acusar os oficiais das FANB de armazenarem drogas nos quartéis
venezuelanos.“Viram isso? Que coisas
realmente bizarras. Eles conhecem a nossa história desde [Simón] Bolívar
até agora. Conhecem muito bem a força do povo venezuelano, dos seus
soldados, homens, e mulheres (…). Eles sabem do que somos feitos e é por
isso que querem forçar uma mudança de regime na Venezuela, destruir a
Constituição, para fazer uma nova, neoliberal, que obedeça aos
interesses dos impérios”, afirmou.O
governante sublinhou que a Venezuela “tem a maior reserva de petróleo,
de gás e minerais do mundo” debaixo da terra, e na superfície é povoada
por uma “estirpe humana, que vai defender cada centímetro do seu
território, do seu espaço aéreo e marítimo”.O
presidente do Assembleia Nacional da Venezuela (ANV), Jorge Rodríguez,
disse na quarta-feira que a Venezuela é o país do continente americano
com mais vitórias no combate ao tráfico de droga, e advertiu que as
autoridades vão deter os estrangeiros que entrem no país sem
autorização.“Portanto, seja quem for o
estrangeiro que entre neste país sem autorização, entra, mas não sai,
fica aqui. Fica preso, ou fica como ficar, mas fica”, ameaçou Rodríguez.A imprensa norte-americana noticiou que Washington tem planos para enviar cerca de 4.000 fuzileiros navais para a zona.Washington
não reconhece o resultado das duas últimas reeleições presidenciais de
Maduro e acusa-o de liderar o Cartel de los Soles, que considera uma
organização criminosa de tráfico de drogas. A
Procuradoria-Geral dos Estados Unidos oferece ainda uma recompensa de
50 milhões de dólares (43 milhões de euros) por informações que possam
levar à sua detenção.