Venezuela ativa Plano Independência e "frentes de batalha" em todo o país
11 de set. de 2025, 16:44
— Lusa/AO Online
A operação ativada tem
lugar num clima de crescentes tensões com os Estados Unidos da América,
país que enviou navios lança-mísseis e fuzileiros para as Caraíbas numa
operação contra cartéis narcotraficantes.“Estamos
a ativar neste momento de norte a sul, de leste a oeste, desde todas as
costas do Caribe venezuelano, desde a fronteira com a Colômbia, desde
os Andes, desde o leste do país, estamos a ativar 284 frentes de batalha
com as Forças Armadas Nacionais Bolivariana (Fanb) e todo o seu
equipamento”, anunciou.O anúncio teve
lugar num ato com militares na madrugada de hoje na Cidade Caribia, a
norte de Caracas, transmitido pela televisão estatal venezuelana,
durante o qual sublinhou a “resistência ativa e defensiva permanente”
das Fanb e dos organismos de segurança para garantirem a proteção total
das costas venezuelanas e a defesa íntegra do país.“Os
mares, as terras e as montanhas pertencem ao povo da Venezuela, nunca
pertencerão ao império norte-americano (...) elevámos a nossa capacidade
de mobilização a qualquer hora, em qualquer momento e para qualquer
fim”, sublinhou.O Presidente da Venezuela disse ainda que ninguém agredirá a Venezuela e o que o país tampouco aceita ameaças de ninguém.“Defendemos
o direito à paz da Venezuela porque ninguém tem o direito de perturbar a
independência, a integridade territorial e a soberania do povo
[venezuelano] (…) Não queremos a paz das colónias, da escravidão”,
disse, frisando que o país tem direito a desenvolver o seu próprio
modelo político.No final de julho, os
Estados Unidos classificaram como uma organização terrorista o 'Cartel
dos Sóis', um grupo que Washington alega estar ligado a Nicolás Maduro.As
tensões entre Washington e Caracas intensificaram-se nas últimas
semanas, depois de, em 16 de agosto, a porta-voz da Casa Branca,
Karoline Leavitt, ter afirmado que os Estados Unidos estão preparados
para “usar todo o seu poder” para travar o “fluxo de drogas” para o
território norte-americano. Caracas
recebeu como ameaça a notícia de que Washington enviou para águas
caribenhas navios lança-mísseis e 4.000 fuzileiros numa alegada operação
contra cartéis narcotraficantes, em resposta à qual Caracas anunciou a
deslocação por todo o país de 4,5 milhões de milicianos, componente da
Força Armada Nacional Bolivariana (FANB). Hoje,
Leavitt reiterou que o Governo de Nicolás Maduro na Venezuela é
ilegítimo e acusou-o de traficar drogas para os Estados Unidos.A
porta-voz da Casa Branca também se referiu ao ataque norte-americano
ocorrido na semana passada, contra uma embarcação proveniente da
Venezuela com 11 supostos membros do gangue criminoso 'Tren de Aragua' a
bordo.“Envia uma mensagem clara aos
traficantes de droga do mundo: o Presidente não os tolerará. A
quantidade de drogas apreendida naquela embarcação poderia ter causado a
morte de milhares de americanos. Não permitiremos que esse veneno
mortal entre no nosso país”, acrescentou.Caracas rejeitou categoricamente as acusações, condenando o ataque e acusando Washington de uma campanha de manipulação.No
dia 21 de agosto, o secretário-geral das Nações Unidas, António
Guterres, pediu aos Estados Unidos e à Venezuela que “resolvam as
diferenças por meios pacíficos”.