Venda direta da SATA pode atrair propostas “mais vantajosas”
Hoje 15:43
— Lusa/AO Online
Gualter Couto,
em declarações à agência Lusa, afirmou que, uma vez que levantaram o
caderno de encargos do concurso de privatização da Azores Airlines cerca
de 20 empresas, e perante “novas condições”, com o Governo Regional a
assumir o passivo, “podem estar interessados em apresentar propostas
muito mais vantajosas para os Açores”.Em
janeiro, o júri da privatização da Azores Airlines, num relatório
intercalar, propôs a rejeição da proposta do consórcio Atlantic Connect
Group, a única admitida no concurso, por entender que não “salvaguarda
os interesses” da SATA e da região, segundo uma nota de imprensa
divulgada, na altura.O líder da CCIPD
reiterou à Lusa, que, tal como há nove meses, quando a direção do
organismo tomou posse, e quando o Governo dos Açores “alterou as regras
de jogo ao assumir o passivo da SATA, fazia sentido ter-se colocado
abaixo o concurso e começar de novo”.“Não
foi esse o entendimento. Já se passaram mais nove meses e, neste
momento, ficamos a saber que o único candidato que estava no processo de
privatização alterou ainda algumas das condições das regras de jogo
[caderno de encargos] e o júri é claro ao chumbar. A partir do momento
em que o júri chumba a proposta, para nós, isso é um não assunto”,
afirmou Gualter Couto.Este responsável
considerou que há que “passar à segunda fase”, de negociação direta, e
“esperar que o próximo ‘player’ seja importante para estar à frente do
grupo SATA” e que “não pese muito nas contas públicas da região”.O
consórcio Atlantic Connect Group apresentou a 24 de novembro de 2025
uma proposta de 17 milhões de euros por 85% do capital social da Azores
Airlines, tendo o Governo dos Açores solicitado a prorrogação do prazo
para a privatização da companhia até 31 de dezembro de 2026, que foi
aceite pela Comissão Europeia.Após o
"chumbo" do júri do concurso, o empresário Carlos Tavares, do consórcio
Atlantic Connect Group, considerou que o “ponto essencial” para compra
da Azores Airlines é a assunção do passivo pela região, sob pena de não
haver negócio.Em entrevista à Lusa, Carlos Tavares considerou esta condição “sine qua non”.Na
RTP/Açores, na segunda-feira, o presidente do conselho de administração
da SATA, Tiago Santos, considerou que a proposta do consórcio "não
serve os interesses" do grupo, dos açorianos e do Governo Regional.Em
junho de 2022, a Comissão Europeia aprovou uma ajuda estatal portuguesa
para apoio à reestruturação da companhia aérea de 453,25 milhões de
euros em empréstimos e garantias estatais, prevendo medidas como uma
reorganização da estrutura e o desinvestimento de uma participação de
controlo (51%).